Poema de Luz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Obrigado, há quanto tempo, amigas e amigos,
Tão longe e tão perto que o relógio não sabe.
Estão e são, neste momento, estrelas,
Eu as contemplo como o navegador antigo.

 

Vocês são meus astrolábios, ou, lábios
Em posição de assovio, para que o vento
Leve este dente-de-leão de alento
Até aonde não cheguem, a memória e as horas.

 

O que tenho é o que sou, não de matéria.
É verdade, estou falando sério,
Os apegos ficam neste estar onde governo
E eu os administro onde os deixei, slow motion.

 

Pieguice, dirão, alguns argonautas
Que só acreditam na praia, quando lá.
Pouco se importam com um lar,
Pois, os demais, esquecidos.

 

Mas, eu fico, juntando, um a um,
Em meu próprio benefício.
Oh! Isto parece um ofício:
Terço a rezar, de infindáveis contas.

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