Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna.


O engano é próprio dos que buscam.
Infinito o sertão, para que bússola?
Brenhas do sem fim, solidão.
Acampar no deserto, pernoite cósmico.

Contar os dias, geometria de enigmas.
Quem vive mais, a mulher ou a colheita?
Mas, ela é por si, maternidade aberta,
Deus multiplica os seus, pelo avesso.

Loteria imprevisível, humanos seres.
Mesma espécie, e um sertão de raimundos.
A fadista canta, de olhinhos bem fechados.
Ninguém enche o pote das paixões a mesmo.

Hora, então, de desdenhar dos mapas.
Basta achar na seca a abstrata caliandra.
Beleza é demais em cartografia.
Ir e voltar, isto é lá com os pombos.

Sem esta de sei que nada sei.
Nunca é a vila do longe demais.
Quando se tem sede é com o Cerrado.
O sol da autoestima é a noite do aqui.