Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

I
Propaganda enganosa,
Duas vezes, lá fora.
Uma, não veio. Na segunda,
Um temporal me recolheu.

II
Embuás guardadas
Há mais de 130 dias
Vieram ter comigo,
Abrigar-se em casa.

III
Indesejadas por todos,
Menos eu, dormi com todas elas.
Quando fecharam os cílios, já era tarde,
Eu as havia comovido de húmus.

IV
De verdade me encabulo,
Mais com os seus casulos
Do que a terra esturricada.
Agora, não seco mais lágrimas.

V
O sol já não é o mesmo,
Brinquedo de esconde-esconde.
Eu, menino mais uma vez,
Parente próximo da lama.

VI
Quanta inspiração traz o verde,
Apesar dos relâmpagos.
Notícias de tsunamis, fake news:
Não passaram de black-outs.

VII
Oração atendida, não ouso outra.
Seria não vir para estar outra seca.
Os galhos e meus ossos, ressabiados.
Na dúvida, melhor não ceifar ninguém.