Com base no informe do MPF

Em manifestação enviada dia 31 de outubro ao Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Inquérito nº 3671, a Procuradoria Geral da República, agora sob o comando de Raquel Dodge, reiterou denúncia feita contra o deputado federal Izalci Lucas, em setembro deste ano, por peculato. O parlamentar é acusado de desviar, em proveito próprio e de terceiros, bens doados pela Receita Federal e pelo Tribunal de Contas da União à Secretaria de Ciência e Tecnologia do Distrito Federal (SECT), entre 2009 e 2010, período em que comandava a pasta.

Entre os itens doados estão nove mil sutiãs. Há quem suspeite que parte do material apreendido como contrabando pela Receita e doado a SECT acabou sendo usado para agradar eleitores. Se condenado pelo Supremo, Izalci poderá ficar inelegível e ver derreter seu sonho de chegar ao Buriti.

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Na manifestação, Raquel Dodge afasta os argumentos apresentados pela defesa de Izalci, que tenta desqualificar as acusações. “Os elementos de prova já reunidos demonstram, à suficiência, os indícios de materialidade e de autoria em que se lastreou a denúncia”, argumenta a PGR na manifestação. Além disso, segundo Dodge, ficou cabalmente apontado o emprego dos bens doados em finalidades particulares.

Conforme aponta a denúncia, Izalci teria solicitado à Receita Federal a doação de bens apreendidos, como material escolar, equipamentos eletrônicos, brinquedos e vestuários, sob o argumento de que seriam utilizados em ações institucionais do programa DF Digital, comandado pela Secretaria. Parte dos bens, no entanto, foi encaminhada para guarda na Fundação Gonçalves Lêdo (FGL) e dos R$ 245,2 mil em objetos doados, apenas o equivalente a R$ 28,4 mil foi efetivamente incorporado ao patrimônio da SECT.

Além disso, a denúncia aponta que 20 computadores doados pelo Tribunal de Contas para a Secretaria foram instalados em sala comercial onde funcionava o comitê de campanha eleitoral do parlamentar. “A conduta do denunciado, em verdade, infligiu prejuízo de grande monta ao patrimônio do ente federativo”, conclui a PGR.

Veja aqui a denúncia contra Izalci Lucas