Parque Ecológico Burle Marx um exemplo de Unidade de Conservação que não saiu do papel.

Com uma taxa de urbanização de 95%, o Distrito Federal possui 106 unidades de conservação (UC) distritais e 11 federais. Portanto, 92% do seu território são protegidos legalmente por unidades de conservação. Nem todas essas áreas, contudo, estão implantadas. Esses são os casos, por exemplo, do Parque Ecológico Burle Marx, na Asa Norte, e o Parque das Esculturas, no Altiplano Leste. Um dos motivos dessa realidade, além das pressões econômicas e políticas, é a falta de estrutura e recursos do Poder Público.

Embora muitas UCs não tenham saído do papel, a população do Distrito Federal tem pressionado o governo a criar novas unidades, como é o caso do Parque Ambiental do Córrego do Mato Seco, no Park Way. Essas UC urbanas desempenham importantes serviços ecossistêmicos como a proteção dos recursos hídricos e da biodiversidade. Atuam também como um freio a expansão urbana, seja ela promovida pelo Estado, pela especulação imobiliária e até mesmo a grilagem de terras.

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Elas constituem ainda um espaço diferenciado para a população, cada vez mais carente de lazer, recreação e contemplação da natureza, além de apresentar alto potencial para o desenvolvimento do turismo, gerando emprego e renda, afora outras funções.

Entretanto, esse tipo de unidades de conservação, por estarem tão próximo de nós ou mesmo no interior das cidades, sofrem diferentes tipos de pressão, inclusive nas suas zonas de amortecimento, como expansão urbana descontrolada, com impactos socioambientais de toda ordem como lançamento de lixo, ocupações clandestinas, invasão de animais domésticos e plantas exóticas, queimadas, extração ilegal de areia e produtos madeireiros e não madeireiros, poluição, caça, além de violência e criminalidade, comprometendo os seus objetivos de conservação.

Para analisar essa realidade e apontar alternativas, acontece de 27 de novembro a 2 de dezembro o curso “Criação e gestão de unidades de conservação em áreas urbanas”, promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Distrito Federal. Um dos objetivos do curso é capacitar profissionais da área ambiental e urbana, com foco na relação entre as cidades e suas unidades de conservação, a partir de uma visão integrada territorial e de gestão participativa.

Além da parte conceitual, institucional e legal com exemplos de várias unidades de conservação urbanas pelo Distrito Federal, Brasil e pelo mundo, haverá uma apresentação e visita técnica ao Parque Ecológico Burle Marx, importante unidade de conservação para o Distrito Federal, em especial para a Asa Norte e o Bairro Noroeste.

Também será promovido um debate com alguns atores envolvidos com os avanços e desafios de gestão, como o Instituto Brasília Ambiental – Ibram e representante do Conselho Gestor daquele parque.

Temática:

O principal desafio a ser tratado no curso é a compatibilização da proteção das áreas naturais – tão importantes para a sobrevivência do ser humano, em um país cada vez mais urbano – com o desenvolvimento das atividades econômicas. Dentre os temas a serem abordados no curso estão os marcos legais, como o Sistema Distrital de Unidades de Conservação, Estatuto das Cidades e das Metrópoles; as etapas de criação de uma unidade de conservação, os principais instrumentos de gestão participativa como o Plano de Manejo e o Conselho Gestor, educação ambiental, os conflitos sócio-ambientais e desafios de gestão de uma unidade de conservação urbana e o contexto sócio-ambiental e urbano da região a ser visitada.

O ministrante do curso é o arquiteto e urbanista, Miguel von Behr, Mestre em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade de Brasília, analista ambiental aposentado do ministério do Meio Ambiente.

Serviço

Informações, clique aqui ou pelo telefone 61 32 23 59 03 e  99840-7341(whatsaap).

 

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