Pelo terceiro ano consecutivo na administração Rollemberg, os principais espaços públicos para a Cultura estão fechados ao público. Para ampliar a tragédia, os produtores culturais da cidade tomaram conhecimento que os R$ 106 milhões do Fundo da Cultura, usados pelo GDF, em 2015 e 2016, para cobrir déficits internos, não serão devolvidos ao FAC. 

 

Por Chico Sant’Anna

 

Mais um ano da administração Rollemberg que passa e mais um ano que Brasília fica privada de seus principais espaços culturais. Teatro Nacional, Museu de Arte de Brasília, Espaço Renato Russo…, tudo fechado esperando por reformas que nunca acontecem.
A história da recuperação desses espaços seria cômica, se não fosse trágica. Bem no estilo dos dramas outrora apresentados nos palcos das salas Martins Penna e Villa Lobos. Para ampliar a tragédia, os produtores culturais da cidade tomaram conhecimento que os R$ 106 milhões do Fundo da Cultura, usados por Rodrigo Rollemberg, em 2015 e 2016, para cobrir déficits internos, não serão devolvidos ao FAC. A Lei Orgânica da Cultura – LOC por ele sancionada, em seu artigo 81, sacramenta a não devolução dos recursos do FAC.

A Galeria Athos Bulcão, que já foi palco para importantes mostras, hoje se transformou no espaço da burocracia. Lá funcionará o serviço de protocolo e depósito de documentos.

Teatro de Sombras

Rollemberg tenta mostrar preocupação com a Cultura. No mais recente ato dessa pantomima, dia 7 de dezembro, organizou uma solenidade para reabrir o foyer do Teatro Nacional e sancionar a LOC. Como num Teatro de Sombras, cuja técnica consiste criar efeitos ópticos ao espectador, a reabertura do foyer não é pra valer. Por ora, só visitas de turistas. Nada das tradicionais mostras, saraus, lançamentos de livros. Só no ano que vem, após definir as diretrizes de ocupação cultural. Ou seja, até lá, Brasília continuará sem uma de suas tradicionais galerias de artes.

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Veja os vídeos:

Publicada originalmente na coluna BRASÍLIA, POR CHICO SANT’ANNA, no semanário Brasília Capital.

Como nos anos que se passaram, Rollemberg voltou a prometer para o ano seguinte a entrega dos demais espaços culturais recuperados. Ficariam prontos o Centro Cultural de Dança, o Espaço Cultural Renato Russo e o Museu de Arte de Brasília. Em janeiro de 2016, o secretário de Cultura, Guilherme Reis, declarou ao programa Revista Brasília, que, naquele ano, o foco principal da sua pasta era a retomada das obras do Museu de Arte e do Teatro Nacional. Passaram-se os anos de 2016, 2017, nos dirigimos a 2018 e, como numa telenovela mexicana, o epílogo para essas reformas nunca acontece.

Jogo de mãos

Num passe de mágica, a mimica oficial oferece com uma mão e retira com a outra. Denúncia de Cleide Soares, integrante do Conselho Regional de Cultura de Brasília, revela que na mesma ocasião em que acontecia a reabertura do foyer à visitação pública, o GDF destinava o espaço da Galeria de Artes Athos Bulcão, localizada no anexo do teatro, à instalação de serviços burocráticos da própria secretaria de Cultura. A Galeria, que já foi palco para importantes mostras, hoje se transformou no espaço da burocracia. Lá funcionará o serviço de protocolo e depósito de documentos.

Desde 1981, a Galeria é destinada a exposições de pinturas, esculturas e outras formas de expressão das artes visuais. Agora, prevalece a arte da burocracia e dos serviços administrativos. A medida, segundo ela, desrespeitaria a Lei Orgânica do Distrito Federal e a LOC.

O assunto já foi levado ao Ministério Público.