Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Quando voltei, a cebola esquecida
Havia prosperado rama.
Entoei Hare, hare, hare Krishna!
Como poderia não ganhar os dias,

Tão simplório o prodigioso milagre?

Quando voltei, o cabelo crescido.
E os fios de prata ouvindo trinados.
Atirado no mundo do ilimitado crescer:
Louco por viver; vidrado no amar.
Sempre e sempre mais, navio orbital.

Eu vou. E a vida celebrar, ainda por hoje.
É assim, sina de dançarino é frevo.
A cabeça não para. O Planeta, sim, pausa.
Depois do sono, as flores surpreendem.
Os filhos também, ninhos ao natural.

Sagrado é o milho. Generoso, não pede troco.
Não se sabe, nem importa quantos séculos
Cultivam-se os terraços no suceder das aras
Para o nascer e o sumir dos dentes.
Deus brinca de roda, no semear das crianças.