Por Chico Sant’Anna

Uma aquarela impressionista digital. Assim, talvez, poder-se-ia definir o trabalho que emerge da técnica fotográfica de Alexandre Riulena Araujo, a qual ele insere na categoria urbanarte.

Candango, de 58 anos, Alexandre conta que sempre lhe chamou a atenção o segundo plano das imagens, aquele que fica atrás do alvo principal das fotos, especialmente a intensidade do desfoque. “Foi aí que resolvi explorar o desfoque. Percebi que, desfocado, o movimento presente na imagem ficava mais nítido, o que é um paradoxo, porque o movimento deveria ficar mais nítido quando focado”.

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As objetivas de Alexandre focam – ou desfocam – o cotidiano da capital: passeios no parque, Domingo no Eixão, o dia-a-dia das famílias brasilienses. O resultado nos assemelha a um realismo mágico materializado numa aquarela digital. Para os teóricos, o realismo mágico literário é uma espécie de magia que ocorre sem explicações dentro de um mundo ficcional realista. As cores potencializadas apregoam um toque infantil e lúdico às imagens.

A técnica de desfocar ao fotografar não deforma as imagens. Ao contrário. “Desfocado, o movimento não fica apenas congelado, mas engessado, endurecido, o que faz com que as pessoas pareçam bonecos de playmobil. A imagem desfocada revela um algo a mais. O movimento fica mais lúdico, descontraído. Deixo de lado a visão técnica do movimento e busco uma visão perceptiva do movimento” –  explica o artista, lembrando que não é um desfoque aleatório, mas algo pensado, bem calculado.

“Senão as imagens ficam apenas desfocadas. E o objetivo não é esse. Meu objetivo é que as imagens lembrem pinturas naif, cujo movimento também é engessado.”

Explicando sobre sua técnica, diz não fazer uso de qualquer efeito de seleção de área, manipulação ou distorções de formas. “Às vezes, uso um filtro ND para reduzir a velocidade de obturação. A foto sai praticamente pronta, sendo necessários apenas ajustes de cor e luz.”

Sem qualquer formação artística, ele é um autodidata, que começou a fotografar ainda adolescente por volta de 1976. “Nessa época, não havia cursos de fotografia e você tinha que aprender sozinho e com amigos. Lembro-me que havia uma revista quinzenal que publicava fascículos que eu colecionava. Se não me engano, essa revista se chamava Fotografe.”

Trabalhando com a imagem há mais de 30 anos, se diz um apaixonado pela fotografia. Outra paixão são os grandes pintores da humanidade. “Li e ainda leio muito sobre pintura, pincipalmente pintura a impressionista. Meus preferidos são Elizeu Viscont, Edgar Degas, Vincent Van Gogh” ressalta.

Hoje, sua principal atividade é como Diretor de Fotografia em publicidade, documentários e curta metragens. Estudou Cinema com gente grande, dentre eles, Nelson Pereira dos Santos. “Porém, sempre mantive o FOCO” – ironiza – na fotografia still”.

Todas essas telas virtuais percorrem as redes sociais. Ele nunca participou de exposições, mas quem sabe, agora surja uma oportunidade.