No domingo, 4 de março, o Diretório do Psol-DF estará reunido para homologar suas candidaturas majoritárias. Para o Senado Federal, os candidatos serão o advogado e mestre em Direito Processual, Marivaldo de Castro Pereira, brasiliense da Ceilândia, foi secretário Executivo do Ministério da Justiça, e o jornalista Chico Sant’Anna.
Carioca, pioneiro em Brasília, Chico Sant’Anna, ainda bebê, chegou com os pais à Capital Federal, em 1958. Jornalista e Documentarista, também se dedicou a área acadêmico científica; É Doutor em Ciências da Informação e Comunicação, pela Universidade de Rennes 1, na França.

Presidiu o sindicato dos Jornalistas do DF, e, em período distintos, foi vice-presidente das federações Nacional, Latino-americana e Internacional de Jornalistas. De 2013 a 2014 foi o secretário-geral da Comissão da Verdade e da Memória do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal.
Nesta sexta-feira, 2/3, o jornalista Chico Sant’Anna foi o entrevistado no À Queima Roupa,  da Coluna Eixo Capital, da jornalista Ana Maria Campos, no Correio Braziliense.

Confira abaixo a íntegra da entrevista

 

À QUEIMA-ROUPA

 

Chico Sant’Anna (PSol)

Ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas

Sua pré-candidatura ao Senado pelo PSol está definida?
Será oficializada na reunião do diretório do partido no próximo domingo.

Você foi candidato em 2010 e agora volta a concorrer. 

O que mudou no cenário político do DF de lá para cá?
Em 2010, havia dois candidatos fortes, que acabaram se elegendo (Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg) e eles tinham uma distância muito grande em relação aos demais, tanto em visibilidade pública quanto em condições de campanha. No cenário atual, com a proibição de financiamento de campanha por parte das empresas, coisa que sempre foi regra no PSol, já se reduz um pouco a desigualdade. E temos hoje um cenário de desconstrução das lideranças políticas tradicionais de Brasília.

Um dos candidatos que você aponta como imbatíveis na
eleição de 2010 é Cristovam Buarque, que agora disputa
a reeleição. Acha que ele 
continua forte?

Para muitos eleitores, Cristovam não representa mais o que representou no passado.

Os votos que ele tinha estão soltos e a se conquistar pela esquerda?

Sim. São votos que a gente precisa conquistar. Muitos eleitores estão decepcionados pelo cenário político e não querem votar em ninguém. Então, estamos nessa campanha para fazer um debate e mostrar que nem tudo é farinha do mesmo saco. Existe capacidade de ação diferenciada, inclusive para Brasília. Uma das coisas que a gente percebe é que, quando a pessoa se torna parlamentar federal, vira de costas para Brasília. Deixa de exercer uma função muito importante, que é fiscalizar.

Pode dar um exemplo?

A gente tinha uma quantidade enorme de recursos da área federal que vem para o DF, mas não há um acompanhamento dos parlamentares sobre como é aplicado. Por exemplo, Brasília foi agraciada em 2009 com R$ 1,2 bilhão, do PAC, para ampliar a linha do metrô e fazer o VLT. Passaram-se quatro governos e não se avançou nem um centímetro na extensão do metrô. Agora, no finalzinho do atual governo, foi feito um convênio para ampliação do metrô. Quem é responsável pela não aplicação desses recursos?

Você, que é jornalista, conhece bem o impacto das fake news.
Teme que um eventual crescimento de sua candidatura possa
provocar uma onda de notícias 
falsas nas redes sociais?

Com certeza. Isso não é de agora. Já vivenciei um fato concreto como esse. Mas nenhum instrumento de censura vai lidar com isso. É difícil combater. É desigual, como desigual também vai ser a possibilidade de os candidatos com maior poder econômico pagarem as suas mensagens. A rede social deixará de ser a expressão da cidadania, deixar de ser social, para ser uma rede empresarial, comercial.