Na maior parte dos casos, o destino é o artesanato. Seja para embalar novos conteúdos, doces, compotas, pastas…, seja para a criação de peças decorativas. Os grupos utilizam redes sociais, onde são mostradas embalagens de vidros disponíveis ou desejadas. Só combinar a retirada. Tudo de graça. Pode ser garrafa, vidro de perfume, de medicamentos, potes, só não pode vidros quebrados e planos.

 

Por Chico SantAnna

Indignados com a falta de destino sustentável para os resíduos em vidros descartados, brasilienses se organizam para dar novos usos às embalagens. Brasília produz diariamente 150 toneladas diárias de lixo em vidros. Embora a lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, defina que o vidro deve estar dentro do princípio da logística reversa – quem vende produtos embalados com vidro se responsabiliza em recolher e dar destino adequado ao material – na Capital Federal inexiste estrutura que dê vazão a tanto lixo vítreo. A quase totalidade vai parar nos aterros sanitários, inclusive no recém-inaugurado de Samambaia. Sai bem mais barato enterrar, cerca de R$ 63,00 a tonelada, do que reciclar, R$ 140,00 a 160,00, a tonelada.

Os grupos utilizam redes sociais, onde são mostradas embalagens de vidros disponíveis ou desejadas. Só combinar a retirada. Tudo de graça. Pode ser garrafa, vidro de perfume, de medicamentos, potes, só não pode vidros quebrados e planos. Algumas pessoas disponibilizam seus endereços para servir como entreposto.

Na maior parte dos casos, o destino é o artesanato. Seja para embalar novos conteúdos, doces, compotas, pastas…, seja para a criação de peças decorativas. Com criatividade, um pote de maionese ou de geleia se transforma em candelabro. Como diz Célia Akiko, residente no Park Way, “tudo é muito fácil de fazer: você pega uma taça que quebrou e cola um pingente, um enfeite, uma pedra, um pedaço de madeira… e tudo se recria, se transforma.”

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A reciclagem economiza água e energia e evita agressões ambientais.

Também moradora do Park Way, a artista plástica Luiza Dornas possui um estúdio de fundição de vidro. Trabalha tanto com matéria prima original, quanto com a sucata de vidro. O reuso de vidros, explica ela, exige uma quantidade maior de material de um mesmo tipo, para que se encontre o ponto adequado de fusão. Encontrado o ponto, a beleza ressurge. De uma garrafa de vinho, que iria para no lixão, nasce uma bela fruteira. Os cacos de vidros temperados – usados em box de banheiro e que não são aceitos pelas recicladoras -, renascem como travessa. Os usos artísticos são infinitos, envolvendo até o campo da moda, na produção de bijuterias.

Publicada originalmente na coluna BRASÍLIA, POR CHICO SANT’ANNA, no semanário Brasília Capital.

As comunidades nas redes sociais tem exatamente esse objetivo: mostrar a potencialidade de se reutilizar os vidros no lugar de colocar na lixeira. Estudos demonstram que o vidro leva mais de cinco mil anos para se degradar. Por outro lado, é o único material 100% reciclável, infinitas vezes. A reciclagem economiza água e energia e evita agressões ambientais, já que o vidro original é feito a partir da a areia, de onde é retirada a sílica; da barrilha e do calcário. O uso dos rejeitos vítreos também emite menos poluentes na atmosfera.

A capacidade da Green Ambiental é de 500 toneladas/mês, pequena, se comparada com o descarte local que chega a 4.500 toneladas/mês.

No DF, surge agora a Green Ambiental, empresa que pretende participar da reciclagem do vidro. Não há outras e sua capacidade é limitada, 500 toneladas/mês, se comparada com o descarte local que chega a 4.500 toneladas/mês. Mesmo assim, ela está com capacidade ociosa, pois não há coleta seletiva do vidro. Isto a levou instalar, em parcerias com entidades civis, ecopontos. Containers recebem exclusivamente o descarte de vidros (não são aceitos vidros temperados). Depois de acumulado tudo é triturado em Águas Claras e enviado para São Paulo.

Entretanto, todas estas iniciativas estão longe de resolver o problema. O GDF necessita criar uma efetiva política de coleta de vidro. A coleta seletiva, que ora ele reinicia, não dá um destino sustentável ao descarte vítreo. Na Câmara Legislativa, está parado um projeto que obriga as empresas que embalam em vidro seus produtos a recolherem os vasilhames. Os distritais parecem pouco preocupados com o tema.

Serviço:·   
Green Ambiental: clique aqui·    
Grupo Re-vidro: clique aqui         
Reuso de vidro entreposto: Espaço Kyan-po. Av. W.3 Sul, Qd 513, Bl. A - ent. 63. Ligar antes: 98583.5360