Por Luiz Martins da Silva

I – Rio
Pânico nas linhas verde e amarela.

Os ares esbravejam rajadas, coriscos, trovões…
Antes do pé d’água, chegar a uma estação.
Há um lar para além dos túneis.

II – Alepo
Civis, crianças, idosos e enfermos.

Bombas incineram colunas e liquefazem vergalhões.
Quando o tirano se senta no trono dos infernos,
As mães tecem ninhos subterrâneos.

III – Faroe
Civilizados, os parrudos jovens dinamarqueses

Retalham baleias que na ilusão do instinto
Buscavam sossego no canto de uma baía.
Nas tavernas dos brutos a cerveja do holocausto.

IV – Lagos
Em cadeia de rádio e tevê um frágil presidente

Promete resgatar as jovens santificadas
Pelos fanáticos que não as querem possuídas
De qualquer fé ferida de alfabeto.

V – Istambul
Finalmente, o fim do purgatório.

O navio de vinte e cinco mil bois.
Agora, sim, abatidos ‘dignamente’,
Sob os cânones da purificação da carne.

VI – Atlântico Sul
Em alguma latitude, o insondável destino

Na mais obscura das sepulturas argentinas.
Netuno os abriga da amnésia midiática.
Bravos marujos num velho submarino.

VII – Babilônia
Ai de ti, Nínive! Ai de ti, Palmira!

Logo, agora, Patrimônios da Humanidade!
Que podem as alegorias de terracota?
Ameaçar a beatitude do Sagrado?