Apoio do senador Cristovam Buarque (PPS-DF) à PEC 95 que congelou os gastos públicos com educação é tema de protestos nas redes sociais contra o parlamentar. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Do Norte ao Sul do país, 3, 6 mil comentários. Universitários e recém-formados, beneficiados pelo acesso às universidades via Enem e Prouni, viraram suas metralhadoras contra Cristovam.

 

Por Chico Sant’Anna

Educação sempre foi a marca do senador Cristovam Buarque. Mas ultimamente o tema vem lhe rendendo dor de cabeça e prejuízos a sua imagem pública. Diante da crise financeira por que passa a Universidade de Brasília, Cristovam, que é ex-reitor da UnB, vem sendo acusado de ser corresponsável por esta situação que pode levar ao fechamento da universidade no próximo mês. Tudo pelo fato de ele ter votado favoravelmente a PEC 95 – A PEC do Teto, que limitou os gastos públicos em Educação.

A aprovação da PEC seria a causa de perdas orçamentárias de 45% na verba de custeio, utilizada, por exemplo, para despesas com água, energia elétrica e limpeza. O orçamento curto fez a UnB reduzir em 28% o valor do contrato de limpeza, resultando na dispensa de 132 funcionários terceirizados. O déficit anual é estimado em R$ 92 milhões, para estre ano. E a culpa desta conta tem sido remetida nas redes sociais a Cristovam Buarque.

É também nas redes sociais que Cristovam abriu um tiroteio com jovens universitários de baixa renda. Ele classificou de “demagogia” a ampliação do acesso à universidade, protagonizada pelos governos Lula e Dilma, sem supostamente ter melhorado o ensino médio. “Não há demagogia mais explícita do que prometer diploma universitário para quem não concluiu um bom ensino médio. Foi isso que Lula fez em seu governo e mais uma vez no seu discurso, iludindo o povo”, tuitou Cristovam.

Publicado originalmente na coluna BRASÍLIA, POR CHICO SANT’ANNA, no semanário Brasília Capital.

Discurso preconceituoso

O resultado foi um tiroteio de críticas ao senador. Do Norte ao Sul do país, 3, 6 mil comentários. Universitários e recém-formados, beneficiados pelo acesso às universidades via Enem e Prouni, viraram suas metralhadoras contra Cristovam. São pessoas de famílias humildes, filhos de pedreiros, de lavadeiras, arrimos de família, muitos beneficiados pelas cotas, que testemunharam a transformação social por que passaram após conseguir o nível universitário. Hoje, são advogados, dentistas, comunicadores, economistas, alguns já com diploma de Doutor.
As declarações de Cristovam ecoaram como um discurso preconceituoso, elitista e desconectado com aqueles que defendem a Educação como o melhor caminho para superar as desigualdades sociais. No twitter, houve quem dissesse que essas politicas sociais só viraram realidade após Cristovam ter sido demitido, por Lula, do Ministério da Educação.

Em vídeo, Cristovam tentou contornar o estrago, afirmando que o que colocou os jovens nas universidades foi o talento de cada estudante. Mas já era tarde.