Não há criatividade e diversidade no material de divulgação turística de Brasília, do Ministério do Turismo. O foco continua o tradicional, de mostrar a Esplanada dos Ministérios, o Congresso Nacional, os monumentos. Foto: Roberto de Castro/Mtur

Engana-se quem pensa que lá fora não há interesse por visitar Brasília. A Capital Federal aparece, no prêmio Travellers’ Choice 2018, em 2º lugar na categoria “destinos em alta na América do Sul”.

 

Por Chico Sant’Anna

Decididamente, as autoridades não dão muita bola para incentivar o turismo em Brasília. Nem mesmo o 58º aniversário da cidade é motivo para uma estratégia diferenciada, federal ou do GDF, para atrair turistas e, consequentemente, gerar mais emprego e renda na capital, que convive com 300 mil desempregados. Em 2017, os turistas estrangeiros deixaram no Brasil mais de US$ 6 bilhões, mas esta quantia poderia ser maior, se houvesse uma política eficaz de atrair turistas. Potencialidades como a Capital Federal, Patrimônio Histórico da Humanidade, são mal aproveitadas. Prova disso é o recém-lançado serviço MTur Destinos. Um banco de fotos criado pelo Ministério do Turismo. Ao todo, são quase seis mil fotos de 169 destinos em todo o país, mas Brasília ficou na vala comum.

As fotos são belas, bem feitas, mas são poucas e são mais do mesmo. Enquanto a cidade de São Paulo foi contemplada com mais de 400 fotos, as 55 fotos da aniversariante Brasília se limitam a Palácios, Arquitetura de Niemeyer, aquela receita já conhecida. Falta material que atraia o turista para apreciar uma Brasília diferente, que vá além de seus monumentos.

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Publicada originalmente na coluna BRASÍLIA, POR CHICO SANT’ANNA, no semanário Brasília Capital.

No novo serviço on-line, não há dados complementares que expliquem o objeto fotografado, que subsidiem quem vai escrever ou divulgar a Capital. Não há também lógica organizacional clara. A ordem das fotos não segue uma estratégia de fomento ao turismo, nem estão organizadas alfabeticamente, nem por região geográfica, não há nem mesmo um menu que facilite a navegação. A lista começa com Imperatriz, no Maranhão, e Presidente Figueiredo, no Amazonas. O acervo de Brasília – de autoria do fotógrafo Roberto de Castro – aparece na 105ª posição, a última a aparecer é Florianópolis.

No acervo, as pessoas quase não são retratadas. A cidade é ofertada como um palco frio de arquiteturas reforçando a antiga ideia de que não há calor humano em Brasília. Outras modalidades de turismo, como o religioso/místico, o de aventura e o ecológico não foram contemplados. Embora o próprio Ministério do Turismo tenha definido que a natureza será neste ano de 2018, o principal atrativo de destinos-tendência no Brasil, não há uma foto sequer das riquezas naturais do Distrito Federal, como a Água Mineral, as cachoeiras e trilhas que cortam o cerrado. O foco é essencialmente simbolizado pela tradicional Esplanada dos Ministérios.

Na maioria das fotos do Ministério do Turismo sobre Brasília, não há elementos humanos. Reforça-se a idéia da cidade fria, sem calor humano. Foto de Roberto Castro/Mtur

Vocação

Engana-se quem pensa que lá fora não há interesse por visitar Brasília. A Capital Federal aparece, no prêmio Travellers’ Choice 2018, em 2º lugar na categoria “destinos em alta na América do Sul”. A classificação é do site de viagens Trip Advisor e se baseia em milhares de avaliações e opiniões de viajantes do mundo todo, bem como no aumento das buscas dos visitantes do site e avaliações positivas ali registradas. Ao lado de Recife e Belo Horizonte, Brasília é um dos destinos preferidos dos norte-americanos. Mas viajar para o DF é uma aventura bem dispendiosa. Primeiro, quase, não há voos internacionais diretos, o que já eleva o custo do passeio e aumenta o tempo perdido em aviões e aeroportos. Depois, a cidade ainda não é amistosa aos turistas. Os hotéis são caros, não há opções econômicas para jovens. Falta informação, ponto de apoio, serviços de receptivo accessíveis, o deslocamento interno é caro e complicado e ainda por cima é comum o turista bater de frente numa porta fechada, como é o caso da Torre Digital.