Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna
                     Para Selma Oliveira

Perder um pai, ganhar um anjo.
Para quem dói mais o Paraíso?
Ir ou ficar? Que porto estranho,
Ambos, o navio sobre os ombros.

Abraços, presentes e ausentes.
O momento de todos virem
E nos ver com a alma pluma,
O coração em nada espesso.

Os pedaços? Assim já viemos:
Seres nascentes de parturientes.
Os rios, sim, já brotaram semeados.
Nós é que insistimos nas lágrimas.

Oh! Deus! Quanta ternura!
Os afetos são as nossas caras
Neste cinema de aprender
Que o lírio é literário.