Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Parte do pomar do mundo foram eles.
Por que hei de os perturbar na farra
Das frutas de estação?
Também eu me demorei a madurar
No semeio da semelhança do belo e justo.

Agora, que o trovão não estoura para o Leste
E o relâmpago não está para rasgos de veludo,
Eu teço saudades da terra úmida
E das cirandas encouraçando miudezas
De paixões contra as lâmpadas de casa.
 

Esta noite, o céu límpido de Hino Nacional,
Eu consultei as estrelas para o Norte
E situei a reverência do Cruzeiro do Sul.
Não tardam as colheitas na devolução do Sol.
Riqueza é admirar. O Crescente logo será Cheia.
 

Veio de visita e presente a rainha maga,
Na arte divinatória da simplicidade:
“O que a gente não dá conta, arreia”.
Aquilo me ficou num batimento,
Formiga é que leva a mais que o peso.