Poema de Ana Rossi. Foto de Chico Sant’Anna.

“A tapeçaria das nossas vidas é tecida com fios muito antigos, e o desenho é complexo”. 
(Edith Fiore, 1979)

 

nos meus dedos sinto
a tênue tapeçaria de
minha vida
tapetes de todas as cores
surgem
feito flashes
diante de meus olhos
abertos

εγώ/eu agora ?
εγώ/eu ontem ?
εγώ/eu anteontem?
εγώ no tecido dos milênios
trazendo
a cada vez
a trama daquilo que foi
para ser elucidado
e apaziguado
neste novo cenário
com antigos conhecidos
que minha razão não se recorda
mais

nas minhas veias sinto
a tênue esperança
da minha vida
que pulsa
água
feito rio
feito mar
feito água
que doo a mim
que doo aos outros
tapeçaria que teço
novamente e sempre
em mim