Poema de Luiz Martins da Silva. Foto reprodução da Pintura O Ancião – Triunfo da Morte, de Peter Bruegel

 

Pássaros vermelhos de Bruegel ( * )
Estripam o crepúsculo da lenta recusa,
A anti-apoteose do banquete:
Engolir caviar no forno crematório.
Incinerar-se na própria ilusão.

Quanta angústia na provisão da alegria!
Desespero é conosco, quando do irreconhecível apito.
O inacreditável é a possibilidade do patético.
As aves medonhas completam-se no coliseu,
A festejar o turbilhão de enxofre.

Volta Brasil, ao rastro da bala perdida
E acorda desse diminutivo de lágrimas,
Treinar uma outra estima patriótica:
A ilustre pelada das boas notas.
As chances hão de premiar o mérito.

* Pieter Bruegel – pintor belga (1525–1569).