Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

De encher a vista,
Os olhos fitos.
A fruteira de maçãs contadas.
Tantos filhos, quanta louça!

“Nossa, como estou velha!”.
“O que?”. Não é com você, é o espelho”.
Na certa, era certo, contar com esta:
A eternidade pousada no rosto.

Nunca eu imaginei te conhecer,
Quanto mais, ser teu louco.
Quanta coragem, quanta fazenda!
Nós, na Arca de Noé. Todos conferidos.

Na dúvida, não ultrapassar.
Às vezes, sinais do não, sim.
Confiar nas estrelas que vêm
Comer farelos em nossas mãos.

Mística é não saber a invenção da mesa.
Em cima da hora, do almoço, acontece.
Casa é com tijolos, não com o bolso.
Outrora, até se casavam antes da missa!