Por Luiz Martins da Silva

Para Kaline Maria

Vibramos afins, mas em esferas distantes,
A muitos anos luz, em paraísos distintos.
Você me posta, instantaneamente, prodígios.
Croissants, orquídeas, joaninhas, rimas.

Orbitando, partilhamos espantos digitais.
Recebo deslumbres e paisagens improváveis.
Envio relatos de curas inverossímeis:
GIFs, gifts, mimos e memes até de Vênus.

Somos assim. Prometidas visitas anuais.
Mal sobra alcance para dobrar a folhinha.
E tenho pavor só de pensar no fingimento:
Fingir não vê-la. E, você, não me ter visto.

Se somos tão sensitivos, melhor assim.
Você me liga e eu estou ocupado.
Eu ligo e você havia perdido o aparelho.
As palavras, a voz, vão ficando antiquadas.

Nosso rever é bom não e não morremos à falta.
Então, nos guardamos sempre para um depois.
Temos, sim, direito mútuo a socorro espiritual:
Do qual é bom dispor. Melhor, não ter de usar.