Por Chico Sant’Anna, com informações da Agência UnB

Em tempos de momentos turbulentos na democracia brasileira, a Universidade de Brasília instalou uma placa no campus marcando os 50 anos da Ocupação Militar da UnB, em 29 de agosto de 1968.

Antigos estudantes e professores, que se notabilizaram no movimento estudantil da época e na resistência à Ditadura Militar se fizeram presentes. Antônio Ibañes, José Carlos Coutinho, Hélio Doyle, Ivonete Santiago, Maria José Maninha, Aylê Salasié Quintão, Haroldo Saboia, Jarbas Marques, Wílon Wander Lopes, dentre outros, retornaram ao campus e estiveram na quadra de basquete onde centenas de universitários foram aprisionados pelas tropas militares.

Ex-alunos voltaram ao Campus da UnB, onde uma placa alusiva a triste data foi fixada. Foto de Guilherme Viegas.

Honestino Guimarães foi o grande nome lembrado.

Em 29 de agosto de 1968, cerca de 500 estudantes e professores da Universidade de Brasília foram obrigados por forças militares que invadiram o campus Darcy Ribeiro a ficarem concentrados em uma quadra esportiva. O episódio de cerceamento marcou a época de repressão na UnB, ocorrida nos anos da ditadura.

Entre as invasões ocorridas no campus durante o período do governo militar, aquela foi a mais violenta. “De repente, começamos a ver os estudantes tentando se agregar nos laboratórios. Atrás deles vinha o exército, que começou a destruir aparelhos e equipamentos. Foi um horror total”, contou a médica e professora aposentada da UnB Ivonette Santiago de Almeida, que estava na Universidade naquele dia.

O estopim da confusão naquele dia foi a prisão do estudante e militante Honestino Guimarães. A polícia chegou ao campus na manhã de 29 de agosto de 1968, enquanto os alunos protestavam contra a morte do secundarista Edson Luís de Lima Souto, assassinado por policiais militares no Rio de Janeiro. Cerca de 3 mil alunos reuniram-se na praça localizada entre a FE e a quadra José Maurício Honório Filho (ao lado da Praça Chico Mendes). Além de Honestino, outros seis estudantes foram presos.

Na ocasião, o documentário Barra 68, de Vladimir Carvalho foi exibido, rememorando aos presentes os momentos difíceis por que Brasília passou.