Por Luiz Martins da Silva

Rindo de que?
Talvez, somente porque
O verbo RIR nos abra
Para todos os ventos da rosa
Novos quadrantes de sentido.

Mesmo em momento obtuso,
Cismar a razão do motivo:
O compromisso de pássaro,
Cantar antes da notícia,
Qualquer que seja a astúcia.

Mesmo quando a manchete acha
Que a perda perdeu de novo;
Que o tiro acertou o certo;
Que a destruição destruiu o fraco…
Rir do ovo, ainda na casca do bobo.

O povo sempre ri,
Pois rir é também ir.
Melhor é o suor em vir

Pela estrada sempre aberta,

Correr a corrida do que é correto.

Um amigo me parou
Para perguntar se eu já parei para pensar…
O jeito é se pensar enquanto voa
E, se possível, cantar nem que à toa,

Nem sendo a rota da bistunta bem biruta.
Rir, porque a fé pode estar até no amargo fel.