Foto de Alan Marques

Nas eleições de 2018, Reguffe apoiou 13 candidatos a deputado, mas se omitiu no debate do futuro da Capital Federal e do Brasil. Não veio a público mostrar o que pensava.

 

Por Chico Sant’Anna

 

Como naquele jogo Onde está Wally, o senador Reguffe, do alto de seus 826.576 votos em 2014, se escondeu em meio aos eleitores nessas eleições de 2018. Apoiou 13 candidatos a proporcional, dos quais um foi eleito. Havia a expectativa que ele viesse abraçar a candidatura de Cristóvam Buarque (PPS) à reeleição. Se o fez, foi de forma muito discreta.

Ele se omitiu, contudo, no debate do futuro da Capital Federal e do Brasil. Não veio a público mostrar o que pensava. Num momento em que o retrocesso democrático está em evidência, o silêncio de Reguffe é constrangedor.

E não foi por falta de convite. Por pelo menos três oportunidades públicas, a candidata do Psol, Fatima Sousa – que surpreendeu a todos nessas eleições -, instou Reguffe a assumir seu papel de líder político.

Para alguns analistas, Reguffe comete o mesmo erro de Marina Silva, que no pós-eleição de 2014 e no impeachment de Dilma Roussef, se calou e se escondeu como avestruz, que enfia a cabeça na terra. O resultado do comportamento de Marina, que para alguns buscava estar de bem com todos os lados da contenda, foi o fracasso eleitoral nas urnas de 2018. Ela terminou em 8º lugar, com menos de 1% dos votos, atrás de Cabo Daciolo, que dispensa comentários.

O fracasso de Marina pode resultar na extinção da Rede, já que o partido não superou a cláusula de barreiras. Há quem diga que o futuro da Rede é uma fusão com o PV.

E qual será o futuro de Reguffe? Vai tomar partido nas eleições de segundo turno pro GDF? Apoiará seu antigo companheiro de coligação, Rodrigo Rollemberg, irá na maré de Ibaneis, ou continuará longe dos debates sobre o destino da Capital?

Adeus ao Rorizismo

Desde a primeira eleição realizada em Brasília, há quase 30 anos, esta é a primeira que não teve um membro do clã Roriz eleito. Com as filhas Jaqueline e Liliane inelegíveis, a tarefa coube à viúva, Dona Weslian (Pros), ao neto Joaquim Roriz e ao sobrinho Dedé Roriz.

Todos falharam, assim como Eliana Pedrosa (Pros), que trazia a benção da família do velho caudilho do Planalto Central. O Rorizismo poderá ter sua continuidade na pessoa de Tadeu Filippelli (MDB), que também não se elegeu mas, na condição de padrinho da candidatura Ibaneis Rocha, poderá ter uma sobrevida.

Filippelli vai tentar levar para Ibaneis o que restou da força política do rorizismo. A dúvida é se Eliana Pedrosa que tanto sofreu nos debates com Ibaneis irá facilitar a tarefa.