A rixa interna mais do que justifica uma unificação das policias Civil e Militar, acabando com esse corporativismo que não traz nenhum benefício à população; criando uma polícia única como acontece na maioria dos países desenvolvidos do mundo.

 

Por Chico Sant’Anna

 

Todos os candidatos sabiam que pacificar a área de segurança pública no DF seria e será o grande desafio do governador eleito. Há muito, esse setor é a dor de cabeça de quem passa pelo Buriti. Tradicionalmente, há uma disputa entre Polícia Militar e Policia Civil e os titulares da secretaria de Segurança têm tido pouca, ou quase nenhuma, condição de botar ordem no quintal. A rixa interna mais do que justifica uma unificação das policias Civil e Militar, acabando com esse corporativismo que não traz nenhum benefício à população; criando uma polícia única como acontece na maioria dos países desenvolvidos do mundo. Mas governador algum teve a coragem de ir por esse caminho. O vespeiro é grande.

O que ninguém esperava é que os problemas começassem antes da posse. A transformação do Gabinete Militar do Buriti em Gabinete de Segurança Institucional (GSI) – copiando o modelo do Palácio do Planalto – já esquentou os ânimos nos quartéis.

Os Gabinetes, ou Casas, Militares foram invenções da Ditadura Militar. Aqui no DF, a criação se deu na década de 1970, anos de chumbo do Regime. Não bastava que o Distrito Federal fosse governado por um coronel designado por um general presidente, era necessário montar uma estrutura militar na retaguarda. Na ocasião, eram poucos os policiais militares que tinham a patente de coronel e, em consequência, o cargo era tradicionalmente ocupado por um egresso do Exército.

Com a criação do GSI, a função de chefe de gabinete deixa de ser privativa de um militar e, nessa condição, o deputado em fim de mandato, Laerte Bessa – PR foi designado para o cargo. A revolta se implantou no oficialato e foi verbalizada da tribuna da Câmara dos Deputados pelo coronel reformado, e ex-candidato a governador, Alberto Fraga – DEM. Fraga já estava mordido por ter testemunhado em meio à campanha a traição de Bessa, que o largou para apoiar Ibaneis. Juntou a raiva com a vontade de bater. Para todo o Brasil e transmitido ao vivo pela TV Câmara, Fraga chamou o governador eleito de Jumento e cobrou coerência do então amigo e hoje desafeto, Bessa, além de criticar a criação do GSI.

O plenário da Câmara só não se transformou num palco de telecatch – telecatch era um misto de simulação de MMA com palhaçada transmitido na TV – por conta da turma do deixa disso.

Veja no vídeo editado pelo site Poder 360 Graus os momentos finais da altercação

Na verdade, o GDF não precisa nem de Gabinete Militar, nem de GSI. As funções ali desempenhadas podem ser facilmente desempenhadas pela secretaria der Segurança, que ganharia mais escopo, e pelas próprias corporações. Por de trás dessas três letrinhas estão cerca de 200 cargos comissionados e muita briga por espaço de poder. A extinção do GSI resultaria em economia aos cofres públicos e mais agilidade administrativa.

Linha dura

O descontentamento da tropa também recai sobre a escolha da coronel Sheyla Soares Sampaio. Primeira mulher a comandar a PMDF. Sheyla não é exatamente a paixão dos PMs. É considerada linha dura, mão de ferro na disciplina. Na condição de chefe do Policiamento da Regional Sul – Núcleo Bandeirante, Recanto das Emas e Riacho Fundo I e II – ela foi responsável pela a abertura de diversos procedimentos disciplinares internos. Além disso, ela seria de uma turma mais jovem de coronéis e sua designação teria atropelado a carreira de outros há mais tempo na tropa.

Vamos ver como ela arruma a casa. Digo: a caserna.

Sarney Filho é do PV, partido que coligou com Rollemberg. Ele foi ministro do Meio Ambiente de Temer e agora será o secretário de Meio-Ambiente de Ibaneis. No ministério defendeu a privatização da Água Mineral.

Mais arrudismo

A cada nomeação, o GDF de Ibaneis ganha mais contornos de arrudismo. Quando do governo Arruda, o GDF serviu de cabide para que nomes do cenário nacional arrumassem um empreguinho na Capital diante do insucesso eleitoral. Foi assim, com o ex-senador José Jorge, que ocupava o ministério das Minas e Energia na época do apagão de FHC e que virou presidente da CEB. Foi assim, com o ex-prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, nomeado secretário de Desenvolvimento Urbano.

Publicada originalmente na coluna BRASÍLIA, POR CHICO SANT’ANNA, no semanário Brasília Capital.

Com Ibaneis, o agraciado vem do clã Sarney. Sarney Filho – ou Zequinha, na intimidade da família – , que perdeu as eleições no Maranhão para o Senado Federal, será o futuro secretário de Meio Ambiente do DF.  Ele é do Partido Verde que coligou com o PSB de Rollemberg nas eleições candangas.

No governo Temer, Zequinha esteve à frente do ministério do Meio Ambiente e lançou a bandeira da privatização de Parques Nacionais – ou concessão de gestão, como preferem seus apoiadores. A primeira unidade a ser privatizada seria a Água Mineral, onde o edital, conforme denunciamos nessa coluna, permitia a exploração de casa de festas e parque aquático. Só não foi pra frente, pois o TCU brecou.

Sobre a tentativa de privatização da Água Mineral, leia também:

A diretoria excecutiva do Partido Verde no DF soltou nota repudiando a designação de Zequinha pro GDF.  A Executiva “reitera seu total repúdio à decisão do referido deputado para compor a próxima gestão, principalmente em se tratando de desrespeito a esta executiva regional, bem como ao trabalho acumulado, aos resultados eleitorais alcançados, às trajetórias de seus membros e à absoluta falta de respeito pelo Partido Verde” – diz o partido em nota oficial.

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Assim como o novo secretário da Fazenda, André Clemente, o futuro secretário de Comunicação será o jornalista Wellington Moraes, que ocupou o mesmo cargo nas gestões de Arruda e Roriz. Bahiano, como é chamado pelos amigos mais próximos, chegou a ser preso na Operação Caixa de Pandora, mas depois a justiça o julgou inocente das acusações a ele imputadas.

Sucessão nas RAs

Diante da promessa de que os administradores regionais serão escolhidos a partir de listas tríplices elaboradas pelas comunidades de cada cidade-satélite, moradores de diversas regiões estão se mobilizando. No Gama, o Fórum Comunitário e de Entidades da cidade, que reúne diversas entidades e movimentos sociais, tirou os seus três nomes: a advogada Julia Solange, o presidente do Conselho de Saúde da cidade, Enóquio Rocha, e o contador Márcio Carneiro. A plenária que deliberou por esses nomes a serem encaminhados ao governador eleito contou com a participação de 200 representantes da sociedade civil organizada do Gama.

Park Way

No Park Way, a comunidade está fechando em um único nome. É de José Joffre Nascimento. Neto do lendário Joffre Parada, pioneiro e primeiro presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do DF – Crea-DF, ele conta com o apoio de doze entidades comunitárias, empresariais, culturais e movimentos sociais do bairro e de centena de moradores que assinaram um abaixo assinado em seu apoio.
Joffre tem perfil técnico e, nessa condição, assumiu em agosto a administração do Park Way, na desincompatibilização do distrital eleito Roosevelt Vilela. Desde então, tem mostrado bom serviço no reparo das estruturas do Park Way.