Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Com leal serventia, zelo
Pelo teu sorriso. E nem assinei
Um termo de compromisso.

Retiro de ti todos os espinhos,
Espinhas e desconcertos.
Lavo a tua enferma fé.

Eu te reerguerei das cismas
E sob as cinzas reconstituirei
Teu retrato a cada pixel.

Querer não requer prontidão.
O rio sabe esperar a enchente
Para transbordar certezas.

O vinho que te sirvo, não.
Nem safra, nem lei. Apenas segue
Nossa antiga receita de orvalho.

Esperança, amiga do improvável.
Vive do ouvir dizer
De um girassol no milharal.

Quando já ia ser pisado,
O cascudo furta-cor foi salvo.
“Ele não faz nada, só poliniza”.

Enigmas de quem ao meu lado.
Ao recobrar os sentidos,
Não atino, ainda, as meigas faces.

As frutas mais maduras, aquelas.
Resvalam das mãos ao chão,
Tanta espera por sabor.