Poema de Luiz Martins da Silva. Foto Agência F8

I
Na carta da morte,
Vesúvio displicente
Num refeitório de rotinas.

II
Em lance de minutos,
O genocídio de lama,
A asfixia cruel das almas.

III
Ali, alegres, por pouco.
Tampouco, sequer o cotidiano
Estribilho de talheres.

IV
Um, despedia-se, casar.
Outro, a zoeira da ironia:
Com quem será?

V
E, assim, serão passado.
Danos? O que há de reparo?
Mais soterrados os que ficaram.

VI
Escrevo nestas lápides
Encomendas de um milagre.
Algum mártir há de sanar saudade.

VII
No mercantil dos lastros
Tudo previsto na rubrica do sinistro.
As ações até subiram.

VIII
Na serventia do chega, do basta,
O panteão dos afogados:
Nome a nome, até dos sem mármore.

IX
A mãe pedia carona, a todo custo
Ir no carro dos bombeiros:
“Deixem-me achar meu filho”.

X
E nós com isto?
Igualmente sufocados, rejeitos
Na alquimia trágica dos minérios.