A tendência, agora, é o comando da legenda ser entregue para lideranças de fora do eixo Nordeste/Sudeste, expandindo-se para os extremos Sul e Norte do País. O Centro-Oeste tem pouco peso nesse processo desde que governos estaduais foram sendo perdidos para outros partidos, principalmente o PSDB goiano.

 

Por Chico Sant’Anna

 

Está cada vez mais difícil o projeto do governador Ibaneis Rocha de presidir o MDB Nacional. O caminho que parecia estar livre com a desistência de Romero Jucá e a não postulação de nomes tradicionais do partido, como Michel Temer e Renan Calheiros, mas o cenário mudou, informa o jornalista Edgar Lisboa, em seu blog.

Tem muita gente já se mexendo. Presidir o MDB seria a primeira etapa de um projeto maior de Ibaneis. Na verdade, ele deseja chegar ao Planalto, quem sabe em dobradinha com o tucano João Dória. Além disso, Ibaneis precisa mostrar serviço no GDF para se cacifar nacionalmente e, pela mostra desses primeiros cem dias de governo, parece que ele vai ser mais do mesmo que o Distrito Federal experimentou recentemente com Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg.

Novos candidatos

Em seu blog, Edgar Lisboa informa que além de Ibaneis já se posicionaram na largada da corrida à presidência Nacional do MDB Alceu Moreira, deputado federal e presidente da Frente Ruralista e do Partido no Rio Grande do Sul; Helder Barbalho, governador do Pará, com o respaldo de seu pai, o ex-senador Jader Barbalho; e Carlos Marun, ex-ministro Chefe da secretaria de Governo e escudeiro de Michel Temer.

Na nomeação de sua equipe de governo, Ibaneis Rocha montou no GDF uma arquitetura política de forma a construir alianças para garantir apoio peso pesado em seu projeto. Brasília viu um monte de políticos mudando da Esplanada dos Ministérios para o anexo do Buriti. O mais iconográfico foi o filho de José Sarney, Zéquinha, para a secretaria de Meio-Ambiente. Indicações de Temer e Renan também foram bem acolhidas. Paralelamente a essas costuras, digamos assim polêmicas, ele lançou a bandeira de querer resgatar o MDB e trazer uma nova postura partidária, mais ética e mais eficaz. Fez isso às vésperas da prisão de Temer. A coincidência dos fatos pode não ajudá-lo.

Analista político de longa data, Edgar Lisboa acredita que a tendência, agora, é o comando da legenda ser entregue para lideranças de fora do eixo Nordeste/Sudeste, expandindo-se para os extremos Sul e Norte do País. O Centro-Oeste tem pouco peso nesse processo desde que governos estaduais foram sendo perdidos para outros partidos, principalmente o PSDB goiano. Isso favoreceria as candidaturas do governador Helder Barbalho (PA), de um lado, e do deputado federal gaúcho, Alceu Moreira, presidente da poderosa Frente Ruralista.

Velhas raposas

O nome de Barbalho, pela história de seu pai pode atrair as forças das velhas raposas do MDB. Seria uma renovação com tempero da tradição. Sua vitória poderia representar mais independência ao partido, permitindo que ele pratique a velha política de negociar caso a caso a aprovação das propostas do Executivo.

Para o Palácio do Planalto, a nome de Alceu Moreira é mais palatável. Viabilizaria um alinhamento mais fácil com o governo Bolsonaro, pois contaria com o respaldo da ministra Tereza Cristina, ex-presidente da mesma Frente. Além disso, teria o respaldo do ministro da Cidadania, Osmar Terra, emedebista gaúcho como Moreira. Resta saber se o capitão vai querer correr o risco de tomar de assalto o partido.

Nesse cenário, as candidaturas de Ibaneis e de Carlos Marun, ficariam em um segundo plano. Para continuar no páreo, Ibaneis precisa de cara convencer Marun a desistir e tentar herdar o apoio de Temer e do MDB paulista. Em seguida se posicionar entre o Pará e o Rio Grande do Sul, quem sabe atraindo o apoio da já queimada alas do Nordeste/Sudeste. Do contrário, daqui a quatro anos, Ibaneis terá que pensar em projetos diferentes.