Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Alexandre Riulena

 

O homem da prancheta
Pensou em nós,
Irônica fauna.
Os ditos, supostos,
Únicos de alma.

Bem nos fez.
Do lar às passarelas.
Estrídulo de pássaros.
Quantas espécies!
Exóticos somos.

Uns, a ir.
Outros, voltando.
Agora, fim do ermo,
Rara a quietude
Para que a cidade durma.

São, assim, uns,
De hábitos noturnos.
Outros, de saúde matinal.
Com todos eles, nos costumes,
As corujinhas buraqueiras.

O fato é que se alastraram bem.
Bípedes, ciclistas e tantos pedais.
Por que não param?
Dia e noite, indeciso bioma.
Eixos, asas, rosa dos ventos.