Poema de Ana Rossi. Foto de Chico Sant’Anna

 

minhas heranças são o que sou hoje
são o que fui ontem
talvez não sejam mais
o que serei amanhã

minhas heranças plásticas e amordaçadas
compõem uma luz neblina
que me impede de caminhar
e alcançar o sol

minhas heranças sonoras
são gritos algemados
no mais fundo do meu ser
discorro sobre mim
e não falo mais
o meu olhar se multiplica
e eu vejo

minhas heranças me trouxeram
solidão
minhas heranças antigas
desfeitas
feito pó
e hoje
hoje agora!
caminho mais leve

na luz da lua
vou