Com elevado nível de carência social, a Santa Luzia está no meio das disputas políticas da Estrutural.

Na cidade, existe um movimento forte de lideranças comunitárias contrárias a atual administração. Quem assumir o comando do Conselho Comunitário da Estrutural. Agrupamentos que apoiaram outros candidatos nas eleições passadas e mesmo gente que apoiou Ibaneis querem uma fatia da Estrutural. E o que parecia impossível está se materializando na cidade: uma articulação que congrega desde apoiadores de Bolsonaro a Lula. No centro de tudo isso a região das Chácaras Santa Luzia.

 

Por Chico Sant’Anna

 

Com uma população estimada em 45 mil pessoas e bem pertinho do Palácio do Buriti, a cidade Estrutural tem tradição em luta e de se antepor ao governo de plantão. Já nasceu assim. A cidade tem um elevado nível de carência social. Falta Saúde, empregos, ensino, falta futuro para uma população. Por falta de moradia, trabalhadores sem moradia ocuparam a borda do lixão e fizeram crescer uma comunidade que embora tenha os menores níveis escolares do Distrito Federal possui uma população ativamente participativa nas questões políticas. E colocar saia-justa em governante não é problema. Foi assim com Cristovam Buarque, com Rollemberg e está sendo com Ibaneis.

Na cidade existe um movimento forte de lideranças comunitárias contrárias a atual administração, comandada por Germano Guedes (PRB). Agrupamentos que apoiaram outros candidatos nas eleições passadas e mesmo gente que apoiou Ibaneis querem uma fatia da Estrutural. E o que parecia impossível está se materializando na cidade: uma articulação que congrega desde apoiadores de Bolsonaro a Lula, de Eliana Pedrosa a Júlio Miragaya, passando por Rosso e Fraga. Todos juntos apoiando uma chapa que disputará no próximo dia 19 de maio o comando do Conselho Comunitário da Estrutural. Do outro lado, uma chapa apoiada por microempresários locais e com simpatia da administração regional.

Publicada originalmente na coluna BRASÍLIA, POR CHICO SANT’ANNA, no semanário Brasília Capital.

No centro de tudo isso está a região das Chácaras Santa Luzia. Uma franja de terra bem próxima ao Parque Nacional e a desocupação total já foi determinada pela Justiça ainda no governo Rollemberg.

Com apoio de lideranças locais a área vem sendo constantemente ocupada, apesar das remoções. Segundo denúncias, por lá tem gente que não tem casa para morar, mas também de pessoas já detentoras de moradia na própria Estrutural e que busca um ganho financeiro extra. A Chapa 2, de oposição – que reuniu pessoas de diferentes ideologias – defende a regularização da ocupação.

Já a Chapa 1, que reza com a cartilha governamental, defende que o local seja preservado como definiu a Justiça, inclusive como proteção ao Parque Nacional de Brasília, onde está a Água Mineral.

Os Conselhos Comunitários estão previstos na Lei Orgânica do DF. Possuem funções consultivas e fiscalizadoras. Em tese todos os projetos de uma cidade devem passar pelo crivo dos conselhos – mesmo que esses não tenham poder deliberativo. As administrações regionais devem ainda prestar contar aos Conselhos. É certo que o agrupamento vencedor estará se credenciando como força política para 2022. Entretanto, ter um Conselho opositor nos calcanhares não é uma boa perspectiva. Agnelo Queiroz sentiu isso quando os Conselhos Comunitários do Plano Piloto se insurgiram contra sua proposta de PPCUB.

Na Estrutural, o clima que já era tenso tende a ficar ainda mais esgarçado caso a chapa apoiada pela oposição vença. A própria permanência do administrador pode ficar fragilizada e, por consequência, o governador Ibaneis terá um polo ruidoso a poucos quilômetros do Buriti.