Poema de Luiz Martins da Silva

Ora, vejam o quanto
Deseja tirar um tirano!
Não se contenta em tirar
O que há por bem estar
Do nascer à sepultura.

Ele quer por que quer
A tudo disciplinar,
Leitor e literatura,
Pois se sente onisciente,
Onipresente e onipotente.

Quer aplauso e continência,
Concordância e obediência
A todo e qualquer dos atos.
Da roupa aos modos de rir
Ele é quem sabe o melhor.

‘Por ele é que respiramos,
Para ele é que existimos.
Ele é a inspiração,
A luz, o farol, a lição
De tudo que precisamos’.

Mas, antes que seja tarde
E nos tirem a liberdade,
De todos, o bem maior,
Que se retirem os tiranos,
O seu tempo já se acabou.