Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Deixar passar uma dor,
ela é quem sabe marcação.
Crepúsculo que não se adianta,
costura de incerto alcance.

Vinho, casta bem definida,
Mas de adega inconclusa.
Retrato a se multiplicar
Corpúsculo em caleidoscópio.

Eu sei, não estás.
Porém, como podes presença,
e ao mesmo tempo distância
do pouco que tanto peço?

Dor, coluna dórica em mapa,
mapa-mundi, escala um para um.
Marco cravado, padrão em areal.
A orla, a espuma, o mar da saudade.

O que esperas, não sei.
Não soe de porto o destino.
Sei de saber, flores rebrotam.
Navios, sim, o conforme é do quem sabe.