Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Araquém Alcântara

Olhem para a Amazônia,
Orem pela Amazônia.

O mundo parou e rezou
Pelo que piorou
(Mais uma vez e ainda mais).

Pray for Amazonia.
O pulso apelo da ONU,
Dos países, dos artistas
E de todas as almas transidas
De dor, cada um sentindo em si
A asfixia do enfisema planetário
Causado pelas chamas ensandecidas,
A sanha dos incendiários.

O mundo conhece, agora,
Outra vez, o holocausto,
A barbárie insensível à dor
De todos os seres que sentem
O horror de serem queimados
Para que uma espécie, louca
Tenha a sua carne.

Feminicídio amazônico,
Mais que a floresta,
Todas as suas vestes,
Veias, vasos, artérias…
As nuvens que despejam toneladas
De água pura e doce sobre o verde,
O verde que renova as folhas da chuva,
O ciclo da temperança e da plenitude,
Agora interrompido pelo sem sentido
Da estupidez: devastar o lar.

Bilhões de seres em comunhão, expulsos.
E os que ficaram para trás, calcinados.
As chamas, apocalípticas, tão elevadas,
A ponto de serem vistas pelo olhar do Eterno.

Quem sabe, Ele se compadeça e desça e
Ilumine as cabeças sôfregas
Pela mudez da terra nua
E para que, despida, alguém a chame de sua.

Oh, quanta falta de sorte,
Disseminarem a morte,
Para dela extrair gado de corte
E, dele, mais morte.

É a isto que chamam de riqueza?
Que horrenda oferenda sobre a mesa!
Saturno a devorar toda forma de vida
Para venderem o que chamam de comida,
Reaquecida sobre o que restou das cinzas
Da própria MÃE.