Reguffe agora no Podemos espera ter condições de organizar a sua caminhada às urnas de 2022.

Reguffe escolheu um partido que diz ele ser de centro, para atrair a maior massa do eleitorado. Espera conquistar votos à esquerda, centro e à direita. No passado, Reguffe se elegeu com apoio do eleitorado petista, pedetistas, dos socialistas e também do MDB. Qual será o desempenho em uma carreira quase solo? As urnas dirão.

 

Por Chico Sant’Anna

 

O senador Antônio Reguffe, até aqui sem partido, decidiu se filiar ao Podemos, antigo Partido Trabalhista Nacional (PTN), que em 2016 mudou de nome. Reguffe se soma ao time de Álvaro Dias (PR), Romário (RJ), e outros sete senadores, dentre eles Lasier Martins (RS), que respondeu a processo por violência doméstica contra sua esposa. Escolheu um partido que diz ele ser de centro, para atrair a maior massa do eleitorado. Espera conquistar votos à esquerda, centro e à direita.

O problema é que para muitos analistas, o Podemos está mais inclinado à direita e o pior, não chega a estar puro e imune às intempéries judiciais.

Assim como Reguffe, vários dos parlamentares do Podemos não são de raiz, migraram de outros partidos. A próxima conquista do Podemos deve ser a senadora Juíza Selma Arruda, eleita pelo PSL, mas cujo mandato está sob risco de ser cassado por acusação de abuso de poder econômico e caixa dois.

Publicada originalmente na coluna BRASÍLIA, POR CHICO SANT’ANNA, no semanário Brasília Capital.

O líder máximo do Podemos, senador Álvaro Dias, também migrou do PSDB para o PV e, em seguida, para o Podemos. Ele também é outro que pode ter a tranquilidade abalada. Segundo o site Intercept Brasil, Dias faria parte de uma “turma protegida pela Lava-Jato”. Ele é citado nas delações premiadas. Em uma delas, o ex-candidato a presidente foi acusado de receber propina para ajudar a melar a CPI da Petrobrás. “Em outro episódio, e-mails do advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Durán, indicavam que Álvaro Dias teria recebido R$ 5 milhões em propina para pegar leve nas perguntas aos investigados na CPMI de Carlos Cachoeira, o empresário do jogo do bicho em Goiás” – diz o site. Dias nega qualquer irregularidade. Dentre os senadores do Podemos também há quem tenha sido denunciado por violência doméstica, o que pode atrapalhar os planos de Reguffe junto ao eleitorado feminino.

Reguffe dizia que escolheria um partido ficha limpa, sem cargos no governo (GDF e Federal) e que o deixasse agir com independência. O Podemos pode não ser assim um porto tão seguro e tranquilo. Avanços em investigações e processos contra ilustres integrantes da agremiação podem respingar em Reguffe e fazê-lo dar muitas explicações a seus eleitores.

Com a entrada de parlamentares provenientes do PSL de Jair Bolsonaro, Podemos pode vir a ser a maior bancada do Senado.

Só um distrital

Nas últimas eleições candangas, o Podemos apoiou, abençoado por Álvaro Dias, a candidatura de Rogério Rosso (PSD) ao GDF, integrando a coligação Unidos pelo DF. Também faziam parte dessa coligação o PRB, PPS, Solidariedade e PSC.

Para deputado federal lançou um único nome: Marcos Paco, que foi administrador de Brasília, no governo Rollemberg, e depois assumiu a suplência durante a licença de Rosso, na Câmara Federal. Em 2019, Paco obteve 39.300 votos mas, não foi eleito. Não lançou candidatos próprios ao Senado e para distrital contou com 23 nomes, tendo elegido o sindicalista Jorge Viana.

Num rol de 35 partidos, o Podemos ocupa aqui no DF, a 23ª posição com 1.200 filiados. Não chega a ter uma composição expressiva, o que pode facilitar a construção de um novo diretório regional, aos moldes do que Reguffe anseia. O problema é que o senador do DF não tem uma grande base social organizada. Organizar um partido exige quadros qualificados e muito trabalho. Assim, pode ficar refém de nomes como os de Paco e Viana, que certamente devem possuir a maioria dos votos internos à legenda.

Algumas das lideranças internas do Podemos tem a tradição de construir alianças bastante criativas com partidos das mais diversas colorações, dependendo de quem esteja no poder. A história do PTN/Podemos tem sido de dar sustentação a candidatos de partidos mais fortes, seja no governo federal ou no local. Até no governo Temer, Cargos no poder sempre foram muito atrativos para a legenda

Como isso afetará os planos de Reguffe para as eleições de 2022? Ainda é difícil dizer. Ele quer se livrar da tradicional disputa entre os azuis do MDB e os vermelhos dos partidos de esquerda. No passado, Reguffe se elegeu com apoio do eleitorado petista, pedetistas, dos socialistas e também do MDB. Qual será o desempenho em uma carreira quase solo? As urnas dirão.

Reguffe tem um plano B, caso Álvaro Dias opte por se candidatar a governador do Paraná em 2022. Ele deixaria de lado o GDF e integraria uma chapa nacional, quem sabe numa vice. Esse sonho, o amigo dileto de Reguffe, Cristovam Buarque, carregou por muitos anos, mas nunca se materializou. Até porque, na geopolítica nacional, o DF representa poucos eleitores. Além disso, Álvaro Dias sonha com a filiação do ministro Sérgio Moro para lança-lo presidente da República. Se tiver êxito na filiação, a vaga de vice seria entregue, certamente, a outro partido.