Por Luiz Martins da Silva

A menina baiana tinha um jeito
Para sanfona e doce de fruta.
Mas, descobriu melhor melodia
Estendendo a mão aos aflitos.

Numa noite, uma criança,
Numa esteira, uma cuia vazia,
Implorava, tiritando de febre:
“Não me deixes morrer na rua”.

Eram tantas as pessoas atiradas
Nas vielas, sarjetas, calçadas!
Encontrou abrigo para tantos
Exilados da Humanidade.

Então, a menina quase sanfoneira
Os levou para casas abandonadas,
Que viraram orfanatos, maternidades…
E até um galinheiro, um hospital.

Doce irmã, agora, santa,
Ao lado de Deus, canonizada.
Finalmente, podes tocar uma sanfona,
Para que ouçamos um doce chamado.

Silente, frágil, uma voz terna
Tira-nos de uma secular letargia.
Legiões ainda precisam de um teto.
Milhões não têm uma vaga num hospital.