Passageiros do voo Gol, Buenos Aires-Brasília, tiveram que dormir no chão do aeroporto.

“Casais com crianças dormindo no chão, pessoas idosas. E, pasmem, o gerente da Gol no aeroporto, orientou os passageiros para saírem e arcarem com as despesas de transporte, hospedagem, alimentação e depois, pedir reembolso à empresa” – descreveu a situação uma das passageiras.

 

Por Chico Sant’Anna

 

O que era para ser uma temporada de lazer e descanso na capital da Argentina, acabou se transformando num calvário para passageiros  do voo 7689 operado pela Gol entre Buenos Aires e Brasília.

Além de brasileiros, muitos turistas argentinos a bordo, que de Brasília iriam pegar conexão para o Nordeste.

Um problema meteorológico impediu a descolagem inicialmente prevista para a madrugada de sábado, 12 de outubro. Segundo o informe oficial, havia uma tormenta elétrica, com chuva e muitos raios. A partir daí foi um abandono total, passageiros sem saber quando e se iriam embarcar, sem assistência e jogados por terra no aeroporto internacional de Ezeiza

O horário regular do voo já não é dos mais confortáveis: 4h45 da madrugada. O aeroporto de Buenos Aires fica cerca de uma hora do centro da cidade e para o check-in é necessário chegar com uma antecedência entre duas a três horas. Ou seja, perde-se a noite em claro. Essa foi a situação de Cláudia Baddini, uma moradora de Brasília que estava na capital portenha, sem saber o calvário que iria enfrentar na volta. Ela mesma relata etapa a etapa o que aconteceu.

“Após problemas meteorológicos, compreensíveis, vários voos do dia 12 de outubro de Buenos Aires foram atrasados ou cancelados. Casais com crianças dormindo no chão, pessoas idosas. E pasmem, o gerente da Gol no aeroporto, orientou os passageiros para saírem e arcarem com as despesas de transporte, hospedagem, alimentação e depois, pedir reembolso à empresa” explicou.

O voo era o G3 7689, do dia 12/10, com saída prevista para às 4h45. “Chegamos para o check-in às 2:00 da madrugada de sábado. Ai o voo começou a ser reprogramado ao longo de sábado. A explicação era o mau tempo. Primeiro para 7h35 da manhã. Chegamos a embarcar e ficamos dentro do avião de quatro a quatro horas e meia dentro da aeronave, esperando a decolagem. Ai cancelaram a partida pois, segundo a explicação oficial, a chuva impedira a colocação das malas a bordo. A previsão de partida ficou, então, para às 17h30 e, em seguida para às 19:40. Essa última tentativa também não aconteceu, pois havia estourado o tempo da carga horária da tripulação. Nos deram apenas um sanduíche no avião e fizeram a gente desembarcar. Às 23h ele foi finalmente cancelado.”

A alimentação praticamente não existiu. “Depois do sanduíche, a empresa ofereceu no sábado um almoço, mas eu por exemplo, depois de uma hora e meia esperando para ser atendida no restaurante, desisti por não ter sido atendida. Depois mais nadam não teve janta e no domingo nem café da manhã nem almoço. Nem água.” Ela relata que ninguém recebeu hospedagem. “Às três da manhã de domingo, dia 13, ou seja, 24 horas depois que chegamos para fazer o check-in, fomos informados de que haveria um novo voo para nos levar, seria o G3 9246, só que com saída marcada para o meio-dia de domingo, 33 horas depois que fizemos o check-in.

“Nós ficávamos correndo de um lado para o outro atrás de alguém da Gol, suplicando informação. E fizemos muito barulho pra conseguirmos ter a supervisora nos informando, e isso, quase às onze da noite de de sábado.”

Veja no vídeo:

Indignados, passageiros brasileiros e argentinos cobram em coro a presença dos funcionários da Gol

A Gol chegou a alocar passageiros que tinham destinos finais diferentes de Brasília em outros voos. Mas o martírio perdurou até o final para cerca de 50 pessoas. O que era para ser um voo com duração de três horas e meia, virou uma maratona de 36 horas. A discriminação dos passageiros com destino a Brasília, que foram os últimos a terem uma solução para a viagem irritou ainda mais aqueles que aguardavam e que começaram a gritar o nome da cidade à frente do guichê da Gol.

Veja no vídeo:
Passageiros pedem a Gol solução para a viagem a Brasília

Nota da Gol
A assessoria de imprensa da Gol disse que o atrasou ou cancelamento de voos se deveu ao mau tempo em Buenos Aires. “Essa situação impactou na disponibilidade de tripulação — que tem limite de jornada de trabalho estabelecido pela regulamentação da categoria — o que também afetou as operações da empresa”, informou por meio de nota. A empresa nega a falta de assistência aos passageiros , que teria sido prestada nos termos da regulamentação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).