A chapa vitoriosa é composta por dos estudantes dos movimentos de esquerda, como o Levante Popular da Juventude, a União da Juventude Socialista (UJS), a União da Juventude Comunista (UJC) e os coletivos de juventude do PT e PSOL. Todas as forças de esquerda que tem trabalho na UnB, exceto o PDT, que abandou as negociações, participaram da chapa.

Por Chico Sant’Anna e João Negrão, do site Muvuca Popular

 

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de Brasília (UnB) foi retomado pelas forças democráticas e populares do movimento estudantil, em eleição realizada nesta sexta-feira (18). A vitória da chapa “A Gente que Lute” deu uma lavada na concorrente, conquistando 7.143 votos e quase 5.000 votos de diferença. Desta forma, a esquerda enterra a gestão da direita na entidade, que impôs um retrocesso na luta estudantil. O resultado também assegurou à chapa A Gente que Lute a representação de nove, das doze cadeiras, no Conselho Universitário – Consuni.

Assim, o DCE reaviva a tradição de luta de seu patrono, o histórico líder Honestino Guimarães, assassinado pela ditadura militar de 1964. Essa histórica resistência também é lembrada no enfrentamento que os estudantes da UnB, junto com professores e funcionários, empreenderam contra nada menos que seis invasões da universidade durante o período ditatorial.

“Ontem foi dia de vitória para as/os estudantes da Universidade de Brasília, o DCE histórico que carrega o nome de Honestino Guimarães está de volta com uma galera comprometida com a educação e com a universidade, com uma galera responsável com a luta estudantil e com a unidade necessária para derrotar o projeto de morte do governo Bolsonaro e de volta, também, para uma galera que vai acalourar cada vez mais o Movimento Estudantil no DF com a força para combater o sucateamento do ensino superior”, afirma texto compartilhado pelos estudantes via redes sociais.

A chapa vitoriosa é composta por dos estudantes dos movimentos de esquerda, como o Levante Popular da Juventude, a União da Juventude Socialista (UJS), a União da Juventude Comunista (UJC) e os coletivos de juventude do PT e PSOL. Todas as forças de esquerda que tem trabalho na UnB, exceto o PDT, que abandou as negociações, participaram da chapa. Tradicionalmente forte no movimento estudantil, o PCdoB é apenas uma entre as demais forças, sequer é a maior, na nova direção.

A chapa 1 Aliança Pela Liberdade, que perdeu as eleições, é formada por um grupo de direita liberal que já esteve à frente do DCE por cinco anos, perderam uma eleição e reconquistaram novamente o Diretório na eleição anterior a essa. É um grupo que tem um projeto político que há muitos anos trazem propostas de incremento da inciativa privada na universidade, numa proposta muito próxima do projeto de Educação do governo Bolsonaro. A situação atual das universidades do Brasil, fragilizadas com os cortes de verbas definidos pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

“Com essa retomada a gente espera conseguir mostrar qual o papel do Movimento Estudantil e do DCE Honestino Guimarães nessa conjuntura de ataque e retirada de direitos que estamos vivendo” – diz Cíntia Isla

O Muvuca Popular conversou com a estudante Cíntia Lorena da Silva Isla, 21 anos, do curso de Engenharia Florestal. Ela é membro da coordenação recém-eleita. “O processo eleitoral como um todo foi algo muito bonito. Eram duas chapas disputando a eleição. A chapa 1 era a da Aliança pela Liberdade, que é um grupo liberal da UnB, e a Chapa 2 – A Gente Que Lute – formada pela União das forças políticas de esquerda dentro da Universidade”, pontuou ela.

A direção da gestão será colegiada e foi dividida entre cinco coordenações. “Com essa retomada a gente espera conseguir mostrar qual o papel do Movimento Estudantil e do DCE Honestino Guimarães nessa conjuntura de ataque e retirada de direitos que estamos vivendo. O DCE da UnB sempre teve grande participação nas conquistas do povo brasileiro e agora não pode ser diferente”, lembra Cíntia.

“É muito bonito também ver como os estudantes depositaram sua confiança no programa e no projeto de Universidade que apresentamos, e como é consenso a ideia de que nesse momento nós não podemos ter um DCE que não esteja de fato próximo dos estudantes e tampouco alheio a conjuntura nacional”, acrescenta ela.

A chapa Gente Que Lute venceu em 16 das 17 urnas instaladas no Campus.

O DCE da UnB, observa Cíntia Lorena, tem papel central no movimento estudantil do Distrito Federal. “Ainda mais agora com a retomada da esquerda, pois tem a possibilidade de uma construção unitária dos estudantes que intensifica o potencial de mobilização da entidade”, expliaca ela.

“Como será a luta de vocês em relação ao Future-se e o desmonte que o governo Bolsonaro promove contra a universidade pública?”, eu pergunto.

Ela responde: “Desde o início do processo eleitoral nos colocamos como a chapa que era contra o Future-se. Isso, inclusive, nos identificou para os estudantes, porque sabem que esse é um projeto de destruição da universidade pública brasileira. Enxergarmos que a nossa tarefa agora, enquanto DCE, é conseguir canalizar essa indignação e construir grandes mobilizações como os Tsunamis da Educação, que conseguiram reverter os cortes impondo uma derrota ao governo Bolsonaro”.