Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Não há como não vê-los,
Com admiração e ternura.
A questão, no entanto, é:
Por d’onde se enovelavam,
Isentos de tanta secura?

Lesmas e centopeias,
Caracóis e mandruvás.
Larvas, lagartas, pulgões,
Pelas varandas e paredes,
Em malhas de intromissões.

Por mim, parece bem certo
De serem transcendentais,
Criaturas esotéricas
Latentes em troncos ocos
Numa outra dimensão.

Pois, dadas como extintas,
E a umidade rente ao zero,
Com que jeito reaparecem
Em serras, sertões, serrados
E no meu coração abismado?