Nesta etapa, empresas previamente habilitadas apresentaram sua modelagem de negócio para a privatização do metrô. Foto Andre Borges -Agência Brasília

Se os chineses não se mostraram interessados nesse primeiro momento em embarcar no metrô candango, os portugueses já se fizeram presentes a bordo. Quem se mantem firme no interesse na privatização do metrô é a empresa goiana Urbi Mobilidade Urbana, concessionária de transporte coletivo de Brasília. 

 

 

Por Chico Sant’Anna

Os chineses não apareceram, mas os portugueses sim. Terminou dia 19 o prazo para que os onze grupos econômicos previamente habilitados apresentassem os seus projetos para “modelagem técnica, operacional, econômico-financeira e jurídica referentes à concessão de gestão, operação, manutenção e eventual expansão dos serviços de transporte metroviário.” Esse é mais um passo para a privatização do metrô de Brasília. A privatização do metrô é rechaçada por 52% dos brasilienses, segundo levantamento realizado pela empresa WHD Pesquisa Estratégica. O GDF optou por essa forma alegando falta de recursos para tocar os projetos de mobilidade urbana, mas especialistas apontam que, a exemplo das linhas de ônibus que consumiram R$ 2,5 bilhões em subsídios nos últimos cinco anos, o transporte sobre trilhos é tradicionalmente deficitário e demandará forte volume de subvenção estatal.

Apenas sete consórcios apresentaram suas propostas. Dentre os ausentes, estão os chineses. O consorcio do qual fazia parte a empresa China Railway nº 10 Engineering do Brasil Ltda. não entregou nenhum trabalho. A presença chinesa nesse processo era uma expectativa grande do governador Ibaneis Rocha. Em junho desse ano, ele mesmo se reuniu com representantes do consórcio chinês interessado em executar o projeto de concessão da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF).

Sobre privatizações de empresas estatais do DF, leia também: 

A empresa China Railway nº 10 Engineering do Brasil Ltda. é uma subsidiária da China Railway Engineering Corporation (Crecg), empresa estatal chinesa, vinculada ao Ministério das Ferrovias do governo chinês. Para participar desse edital em Brasília, ela se associou a empresas teoricamente fortes: Toller Serviços de Engenharia Ltda. (que participou do Conselho de Administração da concessionária da linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro e também já disputou a administração na Ponte Rio-Niterói), CRRC Brasil Equipamentos Ferroviários Ltda. e à empresa especializada em estudos e projetos de engenharia rodoviária e de vias urbanas; de engenharia aeroportuária; de saneamento básico, Planex S/A.

A presença chinesa nesse processo era uma expectativa grande do governador Ibaneis Rocha. Em junho desse ano, ele mesmo se reuniu com representantes do consórcio chinês interessado em executar o projeto de concessão da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF), mas pelo menos nesse etapa, os chineses não se fizeram presentes. Foto de Renato Alves da Agência Brasília.

Portugueses

Se os chineses não se mostraram interessados nesse primeiro momento em embarcar no metrô candango, os portugueses já se fizeram presentes a bordo. Eles se fazem presente por meio da ATP Engenharia LTDA – pertencente ao grupo português Future. Presente em 27 países, em especial nos pertencentes à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP, p grupo Future é especializado nas áreas de sistemas metro-ferroviários e de engenharia marítimo-portuária, já atua em São Paulo junto à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM, e em Brasília, se apresenta associado a Headwayx Engenharia Ltda, atuante nas linhas 3, 15 e 17 do metrô de São Paulo.

Quem se mantem firme no processo é a empresa goiana Urbi Mobilidade Urbana, concessionária de transporte coletivo de Brasília. Ela está associada à Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô. Como essa coluna mostrou anteriormente, empresas fortes no transporte coletivo da Capital Federal querem abocanhar também o transporte sobre trilhos. Em processo semelhante a esse, mas referente à implantação do Veículo Leve sobre Trilhos – VLT; a Viação Piracicabana, de propriedade do grupo Constantino – o mesmo da Gol e da Pioneira – foi a única a apresentar propostas de parâmetro para realizar a licitação do empreendimento. Ela participou como integrante de um consórcio de empresas que englobam a BF Capital Assessoria em Operações Financeiras, construtora Serveng Civilsan, Empresas Associadas de Engenharia, e a Trans Sistemas de Transportes.

Leia também:

VLT

Em relação ao VLT, o próximo passo – informa a secretaria de Transporte e Mobilidade do DF – Semob -, é a realização de uma audiência pública, ainda sem data marcada, para que futuros usuários, potenciais licitantes e demais interessados, tenham conhecimento do projeto e seus custos. Em orçamentos realizados no passado, um primeiro trecho ligando o Aeroporto de Brasília à Estação Sul do Metrô, ficaria na casa dos R$ 300 milhões. Passada a etapa de audiência pública, o estudo será submetido ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) para, em seguida, ser lançado o edital de licitação que escolherá a empresa que irá construir e gerir o VLT.

Metrô

No caso do Metrô, os projetos apresentados agora devem elaborar o que os técnicos chama de “modelo de negócio” e deve incluir dois focos, a gestão da malha existente e uma potencial ampliação. Há mais de dez anos, está previsto o alongamento das linhas existentes para o Setor O, da Ceilândia; para a Expansão de Samambaia e, na outra ponta, rumo à Asa Norte. Nos projetos originários do metrô, elaborados ainda na década de 1990, havia a previsão de uma linha Gama-Plano Piloto e outra, denominada Intersatélites, que partiria da Ceilândia, atravessando Taguatinga, Samambaia, Recanto das Emas, Riacho Fundo II, terminando em Santa Maria. Mas as empresas participantes podem apresentar outras propostas de ampliação da malha.

Os cinco outros participantes que apresentaram propostas de “modelagem” da gestão, operação, manutenção e eventual expansão dos serviços do metrô são, em sua maioria, pesos pesados no cenário nacional. Destacam- se a CCR S.A, que além de ser gestora de rodovias privatizadas no Brasil, é o principal acionista na Parceria Público Privada do VLT do Rio de Janeiro e é a gestora do Metrô de Salvador. Também na relação, a Benvenuto Engenharia S/S Ltda, que atua na área de transporte, coleta de lixo e saneamento, notadamente em São Paulo. Complementam a lista a RNGD – Consultoria de Negócios – associada à Magna Engenharia Ltda -, que também tem interesses na privatização do Autódromo de Brasília; o consórcio formado pela Siscon Engenharia e Consultoria Ltda., que atua na área de infraestrutura de transportes, principalmente rodovias; e a Serviços Técnicos de Engenharia S.A e, por fim, a América Assessoria Empresarial Ltda., especializada em Contabilidade Empresarial e Rural.

Agora, os técnicos da Semob-DF e do Metrô irão avaliar os documentos recebidos e selecionar o melhor estudo. Na mesma rotina do VLT, o projeto escolhido será submetido a audiência pública e também ao TCDF. Cumpridas todas essas etapas, o GDF poderá lançar os editais de licitação para a privatização tanto do metrô quanto do VLT. Serão dois processos distintos. Empresas que não participaram dessa primeira etapa poderão participar das licitações finais. Os editais dessas licitações só serão lançados no ano que vem. Não se sabe ainda se um mesmo grupo poderá assumir VLT e Metrô ao mesmo tempo.