O Memorial Vivo do Cerrado é uma iniciativa da cidade goiana e poderia muito bem ser replicada na Capital Federal. Além de combater a extinção de várias espécimes do cerrado, em risco decorrente da expansão urbana e do agronegócio, e de atrair polinizadores, a ação é um esforço para integrar a população à natureza em um dos espaços que tem tudo para ser um dos cartões-postais da cidade que fica a 150 km de Brasília.

Por Denílson Boaventura, publicado originalmente no Portal 6

Desprestigiado pelo Poder Público e esquecido pela população, o Parque da Cidade, instalado na região Sul de Anápolis, finalmente se tornará o Memorial Vivo do Cerrado — com a consolidação do projeto que está em andamento há quase dois anos. De acordo com a secretaria Municipal de Meio Ambiente, desde o último dia 11/1 teve início o plantio de mudas de cagaita, mangaba, uvaia, taperebá, goiaba, caju, açaí, pitanga, pequi e outras 45 espécies. Com isso, o Parque da Cidade (ou Memorial Vivo do Cerrado) terá o maior pomar público urbano de frutos do Cerrado do Brasil.

O objetivo da ação é atrair polinizadores e integrar população à natureza. “As abelhas estão desaparecendo e essa é uma forma de atraí-las. Além do mais, pensamos também numa forma de fazer um resgate cultural com a população, já que muitos nem conhecem determinadas frutas”, afirma o diretor de Recursos Hídricos, Antônio El Zayek.

Neste primeiro semestre de 2020, 3.000 mil mudas devem ser plantadas até o fim do período de chuva. E no próximo, quando voltar a chover em Anápolis, mais outras 3.000 mudas serão plantadas. Elas são oriundas dos viveiros municipais, mas plantadas pelos integrantes do Grupo de Proteção Ambiental (GPA).

Antônio El Zayek ressalta que um dos maiores desafios desse tipo de projeto, o custo de manutenção, será bastante reduzido exatamente por se tratarem de espécies locais – totalmente integradas ao ambiente. “No total, vamos plantar 6 mil árvores e será o maior pomar público do país de bioma Cerrado”, reforça o diretor de Recursos Hídricos.

O Memorial do Cerrado contará nos próximos dois anos com seis mil mudas de árvores frutíferas do cerrado.

Plantio Compensatório Norte-Sul

 

Desde 2018, está em andamento o plantio Compensatório Norte-Sul, desenvolvido pela Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. por conta dos impactos ambientais decorrentes das obras da empresa em Anápolis. O plano, que tem duração de cinco anos, abrange o plantio, monitoramento e replantio de árvores nativas nos 815 hectares do espaço.

Além disso, a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. se comprometeu com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e com a Prefeitura de Anápolis a criar trilhas nas áreas reflorestadas, para que a população possa conhecer a diversidade biológica do cerrado e a riqueza de suas flores e frutos.

Vale ressaltar que inserir no Parque do Cerrado (ou Memorial Vivo do Cerrado) o maior  pomar público do Brasil de bioma Cerrado é uma iniciativa da secretaria Municipal de Meio Ambiente, que montou um esforço para preservar os espaços verdes locais. O Parque Ambiental Dr. Luiz Caiado de Godoy da Vila Jaiara também está no radar.

Depois do parque ter sido destruído na primeira chuva que caiu após a inauguração, em 2016, e revitalizado em 2018, ele começará a ganhar um novo cenário a partir da próxima segunda-feira (13). Em parceria decorrentes de compensações ambientais com a MRV Engenharia e Viveiro Sacura serão plantadas 300 mudas de buritis ao redor do lago. Também haverá o plantio de ipês amarelos na margem do parque e composições na parte central com árvores frutíferas.