Poema e foto de Luiz Martins da Silva

[Homenagem ao professor Sidney Ângelo de Oliveira]

 

Vou lá fora inventar um céu de pintores,
Tela em veludo para novelos de nuvens.
Solos, violoncelos e graves contrabaixos.
Aos poucos, andantes violinos despertos.

Nunca, jamais a se repetirem esboços,
Aleatórios matizes de azul e chumbo.
Trovões esparsos, bumbos, compassos
Seguidos de coriscos, faíscas dos metais.

Escorre, em breve, a surdina melodia.
Um coro de ventos e abafados vapores
A enfunarem velas, calores, superfícies.

Há, espelho do infinito, algum artista
Mais talentoso que o Senhor dos Céus
E a Senhora das Águas, ora irrequietas?