Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Um homem, uma esquina.
Uma urna, um apelo:
‘O que acham de mim,
Os meus defeitos’.

Entretanto, a franqueza,
Um ou outro, conselhos.
Espelho, ideal presteza:
Opinião? Rugas e pelos.

Gente entende de bichos.
Nichos de tantos afagos.
Relógios, remos de favor.
Vida, rios tão correntes!

Quando criança, matreira,
Rente à mãe, costureira.
Imaginei carretel, linha
Nunca a ensinar a sina.

Hoje, semear parábolas.
Trigo, centeio, cevada.
Lugares comuns, valas.
Tristeza não sói plantio.

Urna, o elogio pleno.
Lacre, fecho, atuária.
Virtudes, inventário,
De bens feitos, afinal.