Mesmo contra as recomendações do Ministério da Saúde, que preconiza isolamento social, a deputada Federal Bia Kicis (PSL-DF) foi uma das líderes da manifestação de 15 de março.

Por Chico Sant’Anna

 

Deputada distribui fake news sobre novo coronavírus e é denunciada pelos dois veículos

Chico Sant’Anna

A deputada Bia Kicis (PSL-DF) se envolveu num embate com a revista Veja e o site de notícias UOL. Os dois veículos acusaram a parlamentar – que liderou em Brasília a manifestação do dia 15 de março, mesmo contra as orientações do Ministério da Saúde – de distribuir informação falsa sobe a morte de um borracheiro no Recife. Kicis afirmava que, embora o trabalhador tivesse morrido vítima de uma explosão de um pneu de caminhão que consertava, seu atestado de óbito saiu como sendo a Covid-19 a causa da morte.

Fake ou not Fake 

Diante da crítica aberta dos dois veículos ao seu comportamento, ela conseguiu obter junto ao hospital onde supostamente morreu o borracheiro uma declaração de que ele não havia morrido vítima do coronavírus. Mas a causa mortis foi o vírus do H1N1, que propicia sintomas respiratórios semelhantes.

A deputada então vociferou nas redes sociais que Veja e UOL tinham que lhe pedir desculpas publicamente.

Mas, pera ai: E o pneu estourado? Ela espalhou nas redes sociais, inclusive vídeos, que a causa da morte tinha sido o impacto da explosão do pneu.

Então, é ou não é fake a informação dela? Tentei perguntar a ela, mas a parlamentar havia me bloqueado no Twitter.

Bia e Julia

Por sinal, Bia Kicis, que vem enfrentando um perrengue enorme dentro do PSL, desde o racha interno dentro do partido, anda muito próxima de Julia Lucy (Novo).

Em tempos de isolamento social, fizeram até transmissão de live juntas nas redes sociais.

Publicada originalmente na coluna BRASÍLIA, POR CHICO SANT’ANNA, no semanário Brasília Capital.

A distrital é aquela que foi ao Buriti fazer lobby contra o projeto de lei aprovado na Câmara Legislativa que obrigou a adoção de mais mecanismos de segurança aos motoristas de aplicativos. Julia queria que Ibaneis vetasse a lei que só ela votou contra na CLDF. Argumentou que a proposta era absurda e iria restringir “nossas liberdades”.

Leia também:

Numa postura semelhante à de Alexandre Guerra – ex-chefão do grupo Girafas – no caso dos aplicativos, ela colocou direito à vida em segundo plano, priorizou o direito à livre concorrência. Ela considera a lei aprovada na pode resultar em perdas econômicas. Percebe-se uma sintonia com Alexandre Guerra – ex-candidato do Novo ao GDF -, que afirmou serem as mortes e pessoas doentes em decorrência do Covid-19 um mal menor do que os reflexos econômicos que advirão da Pandemia do Coronavírus.

Leia também:

Posicionamentos como o de Alexandre Guerra e Julia Lucy demonstram uma afinidade de pensamento dos expoentes do Novo candango muito próxima aos pensamentos de Jair Bolasterona. No recente e irresponsável périplo pela Ceilândia e Sudoeste, ele afirmou ao defender a volta ao trabalho que “infelizmente algumas mortes terão. Paciência, acontece, e vamos tocar o barco”. Há quem pergunte se com a impossibilidade de se fundar o Aliança Brasil para as eleições de 2020, se os correligionários de Bolsonaro iriam para o Novo. A saber.