André Felipe Oliveira da Silva (ao centro) foi preso pela Polícia Federal por supostas irregularidades na venda ao Estado do Pará de aparelhos respiratórios. Em 2007, ele foi secretário de Esportes de José Roberto Arruda (PL), e, hoje, é o segundo suplente do senador Izalci Lucas (PSDB).

 

Por Chico Sant’Anna

Como na Quadrilha, de Carlos Drumond de Adrade, em que “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava”, a política candanga é de um intrincado de ligações, que quando se puxa um fio, aparece um monte de nomes. De uma só tacada, a justiça do Pará conseguiu fazer de longe, no Distrito Federal, uma cesta de três pontos. Ao mandar a Polícia Federal prender o vice-presidente do diretório regional do Democratas do DF, André Felipe Oliveira da Silva, ela respingou no senador Izalci Lucas (PSDB-DF), no presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (Dem) e no ex-governador José Roberto Arruda (PL).

Embora seja empresário no Rio de Janeiro, André Felipe, além de estar no comando do diretório dos Democratas de Brasília, é o segundo suplente do tucano Izalci Lucas. Quando da eleição, em 2018, era filiado ao PR, que mudou seu nome para Partido Liberal – PL. Em 2007, na gestão de José Roberto Arruda (PL) no GDF, ele ocupou a secretária de Esporte. Foi na gestão de Arruda que se deu início ao projeto de reforma do estádio Mané Garrincha, para que Brasília sediasse uma das sedes da Copa do Mundo de Futebol.

Coronavírus

A prisão temporária de André Felipe foi determinada pelo juiz federal Rubens Rollo de D’Oliveira, da 3ª Vara Federal do Pará, e ocorre após os aparelhos respiratórios para tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus, adquiridos pelo governador do Pará, Helder Barbalho (MDB) por R$ 25,2 milhões, terem chegado com defeito e até sem peças.

Segundo o portal O Antagonista, André Felipe atuou como representante comercial da SKN do Brasil Importação e Exportação, empresa responsável pela venda dos aparelhos. O portal Quid Novo informa que o empresário preso “circula pelos quatro cantos de Brasília nas reservadas rodas da elite, regadas com espumantes franceses se apresentando como o ponta de lança do Presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ)”.

Como segundo suplente do tucano Izalci, André Felipe está atrás do advogado Luís Felipe Belmonte, marido da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF), e que coordena em Brasília a criação do futuro partido de Jair Bolsonaro, o Aliança Brasil. O Jornal de Brasília informa que também André Felipe estaria na construção do Aliança na capital federal

Os laços políticos e econômicos de caso revelam bem um lado da faceta da política local e até nacional. Costuras políticas são feitas sem maiores critérios ideológicos ou programáticos e pragmaticamente lobistas assumem posições políticas estratégicas para potencializarem seus ganhos. À imprensa, o senador Izalci Lucas, disse ter ficado surpreso com a notícia. Por sua vez, o ex-deputado Alberto Fraga, atual presidente do DEM-DF, disse aos jornalistas que “o Democratas não vai passar a mão na cabeça de ninguém”.

Confirmada a culpabilidade de André Felipe, ele pode perder a suplência de senador mesmo sem ter assumido o cargo. Quanto ao Democratas, se houver mesmo essa determinação propalada por Alberto Fraga, a expulsão do partido não precisa esperar desfecho policial nenhum.