Taxa de desemprego sobe mais em Brasília do que na média nacional. Falta de trabalho para mulheres, negros e pardos cresce mais do que para homens e brancos.

Por Chico Sant’Anna, com base no IBGE

Antes mesmo da eclosão da Pandemia do Coronavírus e da adoção do isolamento social no Distrito Federal, a taxa de desemprego em Brasília apresentava alta, demonstrando que a economia já não ia bem. A taxa de desocupação do Distrito Federal no 1º trimestre de 2020 – janeiro, fevereiro e março – foi de 13,6%, valor 1,1 ponto percentual superior ao verificado no trimestre anterior, de outubro a dezembro de 2019 (12,5%). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada dia 15/04, pelo IBGE. O volume de trabalhadores desocupados no Distrito Federal pulou de 208 mil pessoas, no quarto trimestre de 2019, para 226 mil no primeiro trimestre deste ano.

Desigualdade social

A pesquisa aponta, também, que as desigualdades permaneceram acentuadas em diversos segmentos da sociedade no primeiro trimestre do ano. Entre as pessoas que se declararam pretas e pardas, no Distrito Federal, o desemprego avançou, de 14,1% e 12,6%, respectivamente, no quarto trimestre de 2019, para, respectivamente, 15,7% e 15,5%, enquanto o das brancas caiu de 11,8% para 10,9%.

Em termos de gênero, as mulheres sofrem mais com o desemprego. A taxa de desocupação, no Distrito Federal, no 1º trimestre de 2020, foi estimada em 10,6% para os homens e 17% para as mulheres. Ou seja, em comparação com o trimestre anterior desemprego teve queda de 0,2 p.p. para os homens e alta de 2,7 p.p. para as mulheres. A avaliação dos grupos de idade mostra que, no Distrito Federal, a taxa de desocupação aumentou mais para as pessoas de 40 a 59 anos, de 5,6% para 8,5%.

A taxa de desemprego candango é ainda maior do que a brasileira. No Brasil, a taxa de desocupação foi de 12,2%, e também aumentou, 1,3 ponto percentual em relação ao 4º trimestre de 2019 (11%). A elevação do desemprego em todo o Brasil já era um termômetro de que a economia não ia bem. Na época, inclusive, analistas do mercado e organismos internacionais já vislumbravam um Produto Interno Bruto baixo, ou mesmo negativo.

O desemprego no Distrito Federal (e de outras 14 unidades da Federação), foi superior à média do Brasil, e ficou na 13ª mais alto em comparação com os demais estados. O país tinha 12,9 milhões de pessoas sem trabalho no primeiro trimestre, conforme já divulgado pelo Instituto.

Subutilização avança no Distrito Federal

De cada 100 brasilienses, cerca de 23 estavam na economia informal. No 1º trimestre de 2020, no Distrito Federal, a taxa composta de subutilização da força de trabalho – percentual de pessoas desocupadas, sub-ocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação à força de trabalho ampliada – foi de 22,9%, o que o coloca, dessa forma, abaixo da média do Brasil (24,4%) e bem distante dos estados com maiores taxas, Piauí (45%), Maranhão (41,9%) e Bahia (39,9%). Apesar disso, o Distrito Federal está entre os dez estados que registraram avanço na taxa de subutilização, cujo aumento foi de 2,7 p.p., em comparação aos três meses anteriores.

Desemprego pelos Estados

As maiores taxas foram observadas na Bahia (18,7%), Amapá (17,2%) e Alagoas (16,5%) e as menores em Santa Catarina (5,7%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Paraná (7,9%). Os estados que tiveram maior variação em relação ao 4º trimestre de 2019, em pontos percentuais, foram Maranhão (3,9 p.p.), Alagoas (2,9 p.p) e Rio Grande do Norte (2,7 p.p). Em comparação com 1º trimestre de 2019, o único estado com variação positiva foi a Paraíba (2,7 p.p), seis tiveram queda na taxa de desocupação e o restante se manteve estável.

Capitais

Em comparação com as capitais, o Distrito Federal teve a 12ª com maior taxa de desocupação. Manaus (18,5%), Salvador (17,5%) e Macapá (17,3%) tiveram as maiores taxas; Goiânia (7,2%), Campo Grande (8,5%) e Florianópolis (8,8%), as menores.