Uma recusa do PCdoB-DF em sair do GDF poderá provocar um racha interno, com a saída dos ex-pepelistas. Há no interior do partido insatisfações pelas decisões tomadas pela cúpula, algumas, segundo Jango Filho, sem ouvir as instâncias internas.  Ele cita a recusa do PCdoB e, mão assinar a medida judicial impetrada pelo PT, PSOL, PV, PDT, Rede e PSB contra o acampamento dos 300 e as passeatas contra a democracia.

 

Por Chico Sant’Anna

O Partido Comunista do Brasil, regional do Distrito Federal, (PCdoB-DF) decidirá se continua ou não na base de sustentação do governo de Ibaneis Rocha (MDB). Na segunda-feira, dia 18, o vice presidente do partido no DF, João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart, encaminhou à instância maior do partido, que é o Comitê Regional, requerimento para que seja debatida a saída da agremiação do governo Ibaneis. O partido tem 60 dias para votar a proposta.

A proposição argumenta basicamente os seguintes pontos:

  • “O distanciamento das pautas essenciais progressistas do PCdoB na formação de uma Frente Ampla que abarque, além dos partidos de esquerdas outros do centro.
  • O distanciamento de Ibaneis do grupo de governadores, ao não assinar o manifesto pela democracia.
  • O não cumprimento da palavra do governador da reiteração dos companheiros do Partido Pátria Livre (PPL), que estiveram na luta desde que o Ibaneis tinha 2% ainda no primeiro turno das eleições e que após quatro reuniões com ele e com a Casa Civil não se materializam. Ao contrário, o que se vê é a exoneração dos poucos quadros que atuavam no GDF.
  • A dicotomia política de termos o secretário de Educação filiado ao, mas que na verdade não está lá apenas por ser “amigo” do governador. Não são consideradas as propostas de políticas educacionais do partido e são desprezadas as contribuições dos grandes quadros que o partido detém na área educacional, inclusive na Universidade de Brasília.
  • O risco eleitoral que o PCdoB corre junto à opinião pública, ao permanecer até 2022 abraçados a um governo de direita e de caudatários do mesmo, e não termos mais credibilidade sequer para montarmos chapas proporcionais com alguma densidade ideológica.”

O PCdoB, que nas eleições passadas coligou-se com o PSB de Rodrigo Rollemberg, entrou no GDF pelas mãos do Partido Pátria Livre (PPL), presidido por Jango Filho, mas que não conseguiu obter os votos necessários para consolidar a cláusula de barreira. Optou por se fundir aos comunistas. Desde o início do governo Ibaneis, o PPL ocupava a secretaria do Trabalho, na pessoa de seu candidato ao senado, João Pedro Ferraz.

Leia também:

Na crise que derrubou o secretário de Educação Rafael Parente, Ferraz acumulou as duas secretarias. Um cenário que poderia representar muitos cargos aos comunistas, mesmo que tivessem que engolir seco a militarização das escolas públicas. Mas não foi o que aconteceu. A secretaria do Trabalho foi entregue a apadrinhados do distrital Robério Medeiros, que “exonerou 22 companheiros do PPL”. Por sua vez, Ferraz, segundo informa Jango Filho, não abriu espaço para os afiliados na Educação.

“Hoje o PCdoB só está com o ônus de estar no governo, sem poder implantar qualquer política ou programa com base em nossa orientação. Enfim, no meu entender, estamos legitimando um governo de direita.”

Descontentamento

Uma recusa do PCdoB-DF em sair do GDF poderá provocar um racha interno, com a saída dos ex-pepelistas. Há no interior do partido insatisfações pelas decisões tomadas pela cúpula, algumas, segundo Jango Filho, sem ouvir as instâncias internas.  Ele cita a recusa do PCdoB e, mão assinar a medida judicial impetrada pelo PT, PSOL, PV, PDT, Rede e PSB contra o acampamento dos 300 e as passeatas contra a democracia. Foi uma decisão unilateral da presidência sem consultar a Comissão Política interna. Vamos convocar uma plenária extraordinária do Comitê Regional em 60 dias para decidir a permanência ou não no GDF, nessas condições de desgaste, mas existe uma expectativa de sairmos, pois já existe muito descontentamento ideológico e vários companheiros estão querendo a desfiliação do PCdoB. Mas vamos esperar os desdobramentos desse requerimento.