Nova cultivar desenvolvida pela Embrapa Hortaliças do DF ganhou o nome do Lago de Brasília e é destinada ao cultivo orgânico. Ela resiste mais ao período de verão e a algumas das pragas que atacam as cenouras.

 

Por Chico Sant’Anna. Fotos de Agnaldo Carvalho/Embrapa

Uma boa notícia para os amantes dos hortigranjeiros orgânicos e também para os produtores desses vegetais. A Embrapa Hortaliça do Distrito Federal vai disponibilizar uma nova cultivar de cenoura. Batizada de BRS Paranoá, ela pode aumentar a produtividade e facilitar o cultivo da raiz em sistemas orgânicos de produção. Trata-se da primeira cenoura nacional desenvolvida e validada exclusivamente para a produção orgânica. Ela é recomendada para plantio no período do verão, época de entressafra das culturas convencionais, o que abre uma janela valiosa de mercado.

A Paranoá é descendente da cenoura Brasília, lançada em 1981. Na época, foi um marco na produção de cenoura no país, uma vez que possibilitou a expansão do cultivo para novas áreas de produção como o Cerrado brasileiro, o que resultou em estabilidade de preços e na regularização da oferta do alimento durante o ano inteiro.

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Depois, veio a cenoura BRS Planalto, uma espécie mais rústica e com a capacidade de florescer prematuramente se plantada na primavera nas Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, ampliando assim o período de plantio. Além disso, a cultivar apresenta resistência a queima-das-folhas e nematoides.

A mais nova integrante da família é a cenoura BRS Paranoá, que foi a primeira recomendada exclusivamente para a agricultura orgânica. Ela é mais resistente a doenças típicas da cultura traz uma coloração laranja intensa, aspecto liso e formato bem cilíndrico”, descreve o pesquisador Agnaldo Carvalho, da área de Melhoramento Genético da Embrapa Hortaliças (DF).

Segundo ele, as raízes da nova cultivar atendem também ao padrão comercial exigido pelo mercado consumidor: elas têm de 16 cm a 20 cm de comprimento e por volta de três centímetros de diâmetro. “Ou seja, não cabe mais o comentário sobre cenouras orgânicas serem pequenininhas. A BRS Paranoá tem uma raiz graúda e com ótima aparência visual”, certifica.

Pesquisa científica

A cenoura é consumida pela humanidade há mais de três mil anos, originária do Egito e da região onde hoje se encontra a Palestina. A cenoura cor de laranja, como conhecemos hoje, foi fruto de diversos cruzamentos de diversas qualidades feitos por agricultores holandeses. Ao entrar numa mercearia, o consumidor não tem ideia do que houve de ciência e pesquisa por de trás das gôndolas de frutas e verduras. As cultivares de cenoura desenvolvidas em países de clima temperado não são adequadas ao clima tropical brasileiro, em especial no verão. “Foi a pesquisa brasileira que teve que fazer isso”, explica Jairo Vidal Vieira, pesquisador ja aposentado da Embrapa, e que foi responsável pelo início dos trabalhos com a cenoura, na década de 1980. Assim, se hoje podemos comprar cenoura de qualidade em qualquer época do ano é graças à pesquisa agropecuária nacional, que trabalhou para desenvolver cultivares adaptadas ao clima tropical brasileiro e com resistência às principais doenças da cultura. Há quase 40 anos, graças a cenoura Brasília, desenvolvida pela Embrapa, produtores rurais e consumidores podem ter acesso o ano inteiro a um alimento de qualidade e produzido aqui mesmo no Planalto Central.

A cenoura BRS Paranoá foi licenciada por quatro empresas parceiras da Embrapa Hortaliças, que responderão pela comercialização das sementes da nova cultivar: Agristar do Brasil, Agrocinco, Bionatur e Isla. As sementes estarão disponíveis para o setor produtivo a partir do próximo ano.