Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Orlando Brito

I
Até outrora, aquilo era lá fora.
O aquilo, agora, é aqui.
Oh, dó! Não é tranquilo.

II
Um amigo me corou:
“O mundo morre, e você…
Aos poemas, com florzinhas!”.

III
Tenho vergonha e medo
De só postar a morte, vou
Postar a sorte. Um trevo?

IV
O Brito fotografou AKs
Na gravata do Presidente.
É assim K’ele é valente?

V
Ontem, morreu um rapaz,
Um batalhador da paz.
Semeava cidadania.

VI
O Cineas veio com esta:
Morreu Evaldo Gouveia…
O bolero do “Relógio” parou.

VII
Por favor, digam amém!
Senhor, Senhor, tem como
De não morrer mais ninguém

VIII
E a resposta, vinda do Além…
Quem crê em mim não morre,
Apenas comigo vem.