Poema de Luiz Martins da Silva

I
Minha mãe, cada manhã,
Mudava a folhinha da Vozes.
E lia a leitura do dia.

II
Meu pai, no leito de hospital,
Me deu um relógio a corda.
De bolso, que vive na parede.

III
Dona Michi, uma vez me disse:

Doença é falta de perdão,
Tem de limpar o coração.

IV
Notícia desta manhã,
Uma prisão de falsários.
Por pouco, milionários.

V
Astronômicos prodígios:
Seis bilhões de Terras
Em cada uma das galáxias.

VI
Estranho amor, o de cachorro:
Quer por que quer lamber
Minhas orelhas, alternadamente.

VII
O Papa, na sua bênção papal,
Mais uma vez, pede paz:
Urbi et orbi e em cruz.

VIII
Por último, alguém quer saber
Por que a sanfona de forró

Só precisa de oito baixos?