O segmento do comércio de calçados foi um dos que mais sofreram com as quedas de vendas. Foto de Toninho Tavares/Agência Brasília.

Quando comparado ao mesmo mês do ano passado, o volume de vendas apresenta queda de 20,3%. Essa é a menor taxa desde o ano 2000. Ao longo dos cinco meses desse ano, o recuo é de 8,4% e, nos últimos 12 meses, 2,1%. Já no agronegócio, a previsão da safra desse ano deve apresentar aumento de 4,5% em relação à safra 2019.

Por Chico Sant’Anna, com base em informes do IBGE

 

Em tempos de isolamento social e de crescimento dos casos de Covid-19, enquanto o Comércio candango patina, o agronegócio dá sinais de vitalidade, essa é a avaliação que pode ser tirada de dois informes sobre o desempenho econômico do Distrito Federal, divulgados pelo IBGE. Segundo o instituto, em maio, o Distrito Federal apresentou um ligeiro crescimento, 3,9%, mas foi o 26º índice, dentre as 27 unidades da federação.  Esse baixo crescimento fica ainda mais evidente, quando se constata que nacionalmente o setor cresceu 13,9%. Já a estimativa de junho de 2020 para a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas, no Distrito Federal, é de 863,9 mil toneladas, o que representa um aumento de 4,5% em relação à safra 2019 (826,9 mil toneladas).

Mesmo assim, diante do desempenho do comércio em abril, que registrou um recuo recorde de 16,9%, o crescimento registrado em maio, comparado ao mês anterior, de 3,9% já é um alento para o comércio varejista do Distrito Federal. Entretanto, quando comparado ao mesmo mês do ano passado, o volume de vendas apresenta queda de 20,3%. Essa é a menor taxa desde o ano 2000. Ao longo dos cinco meses desse ano, o recuo é de 8,4% e, nos últimos 12 meses, 2,1%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE.

O aumento da produção caseira de máscaras e outras pelas de vestuário não foi suficiente para impulsionar esse segmento. O setor de Tecidos, vestuário e calçados apresentou uma queda de 75,6%. Ou seja, para cada R$ 100,00 vendidos em abril, em maio s[o vendera, R$ 25,00. Livros, jornais, revistas e papelaria também tiveram péssimo desempenho (-72,1%); seguido por Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-50,7%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-43,7%); Combustíveis e lubrificantes (-35,2%); e, quem diria, até as farmácias não se deram bem. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos tiveram uma redução nas vendas de 12,1%; superior a de Móveis e eletrodomésticos (-4,3%).

Desempenho positivo

Mas nem todo comércio vai mal. Os Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo apresentaram o quarto mês subsequente de crescimento. Dessa vez, de 8,5%, quarta taxa positiva consecutiva. O chamado comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, também apresentou crescimento no volume de vendas de maio, na capital federal, (14,3%) em relação a abril de 2020, registrando o maior valor para este indicador desde o início da série histórica iniciada em fevereiro de 2004.

Produção agrícola

Se nas lojas as coisas não andam bem, no campo, a previsão é que a soja comande a retomada econômica. O grão, juntamente com o milho, são destaques no Distrito Federal. Embora ambientalistas digam que o Distrito Federal não tem perfil geográfico e principalmente hidrológico para grandes plantações de comodities, esses dois grãos representam 89,9% da produção no DF e ocupam 83,7% da área plantada. Além desse dois cereais, o IBGE estima que a cultura do sorgo deva ter esse ano sua área de plantio aumentada em 58% em relação ao ano anterior

Produtividade

O Distrito Federal se destaca nas estimativas de rendimento médio de diversos produtos das lavouras quando comparado com outras Unidades da Federação. Estima-se, para 2020, produções de 9.500 quilograma por hectare na 1ª safra de milho, ficando atrás apenas do Paraná (10.024 kg/ha), e de 7.000 quilograma por hectare na 2a safra do produto, a frente de grandes produtores como Goiás (6.199 kg/ha) e Mato Grosso (6.041 kg/ha). Na estimativa da soja, o DF ficou em primeiro lugar, com 3.900 quilograma por hectare.