IPCA de junho, em Brasília, registra alta após três meses seguidos de deflação.

Por Chico Sant’Anna, com base em informe do IBGE

Não bastassem os problemas decorrentes da Covid-19, agora o brasiliense vai ter que coçar mais o bolso. Após três meses seguidos de deflação, os preços em Brasília voltaram a subir: alta de 0,46% em junho, alcançando a maior variação mensal do ano e ficando acima, praticamente o dobro, da inflação calculada em todo o Brasil, no mesmo período. Essa é uma postura que contradiz a famosa lei da oferta e da procura. O próprio IBGE divulgou que as vendas vão mal em Brasília. Pior do que o DF, só o Pará. Alimentos foram um dos itens que puxaram os preços para cima, em especial leites e derivados e também cereais e oleaginosas, como milho e feijão.

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Alta generalizada

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados em Brasília, oito apresentaram alta em junho. O maior impacto (0,16 ponto percentual) no cálculo do índice deste mês veio do grupo Alimentação e bebidas (1,03%), que acelerou em relação ao resultado de maio (-0,14%). Destaques para altas nos itens Leites e derivados (5,93%) e Cereais, leguminosas e oleaginosas (4,40%), com seus respectivos subitens Leite longa vida (10,20%) e Feijão-preto (12,66%). Também aqui, o comportamento dos preços não reflete o desempenho do agronegócio no Brasil e em Brasília.

Habitação foi a segunda maior contribuição, com preços que subiram 0,67%, registrando a maior variação mensal deste grupo no ano. Foi bem representado pelo item Aluguel e taxas (1,02%) e seu subitem Taxas de água e esgoto (4,86%).

Os preços estão caindo apenas naqueles setores em que a Pandemia não permite os consumidores usufruírem. O grupo Despesas pessoais foi o único a apresentar variação negativa (-0,16%). Comportamento que já apresentado em três meses deste ano. Recreação (-0,99%) e seus subitens Pacote turístico (-3,37%), Brinquedo (-2,71%) e Hospedagem (-2,33%) se destacaram nos recuos de preços.

Brasil

Em nível nacional a alta foi de 0,26%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE. A taxa do IPCA nacional é também o dobro da verificada há um ano, em junho de 2019 (0,13%). Nacionalmente, a inflação acumulada nesse ano (-0,41%) ainda é a menor registrada para um mês de junho desde o início da série histórica  em 1990.